quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Uma visita especial!

Assim, sorrateira e bem à vontade, a coruja deu o ar de sua graça em nosso jardim interno, chegou voando e morou aqui por uns três ou quatro dias pra encantamento geral dos outros habitantes da casa. Os meninos acordavam e iam dizer bom dia, ficavam bons minutos contemplando a moradora e perguntando como ela iria comer e beber água ...
Eles observaram que durante o dia a danada parecia prima do Jacaré Bilé, quase não queria saber de abrir o olho pra nada. Animal de hábitos noturnos, ela ficava bem quietinha, parecendo dormir enquanto   todo o resto da casa era só agitação.

 Entre as pedras e o bambuzal do jardim interno, a coruja foi se ajeitando e nem ligava pra bagunça toda que sua presença provocou, passava a maior parte do dia no térreo do jardim, Bia, Felipe e Luiza, adoraram a hóspede, até colocaram brinquedos diante o vidro, no chão em frente à escada pra que ela tivesse o que olhar durante as noites insones, Bia e Lipe organizaram uma expedição ao teto da casa, pra lá de cima mandar bananas (????) para a dona Coruja. Claro que levaram bronca, mas aprenderam também que corujas são carnívoras!
 A danada da dorminhoca ficava estática diante do vidro na maior parte do dia e, coitada, parecia mesmo se assustar com a empolgação total dos meninos, que faltavam querer asas pra chegar até ela também pelo céu!
De noite, a nossa visitante também subia e ia ficar com a gente no segundo andar, era uma coruja equilibrista, pois o espaço da soleira do jardim mal dava para os pés da moçoila. Era uma gritaria só: " mãe, ela vai cair, tadinha!" , "Vamos colocar uns colchões lá em baixo?" , " E se ela dormir sem querer e despencar, gente?"  Bem, foram três dias de dúvidas e constatações, na manhã do quarto dia...
... ela não estava mais lá no jardim. ficaram as fotos e as lembranças da visita tão especial!

Um presente que veio do céu!

No Programa Férias na Cultura que a Livraria cultura organiza sempre nos períodos em que a meninada fica afastada da escola, tive a grande alegria de ver meu primeiro livro, nascido da parceria minha e da Bia, A menina que pescava estrelas, ilustrações Beatriz Roscoe, Editora Elementar, ganhar vida no palco do Teatro Eva Herz, com a Verônica do Grupo Era uma Vez, contando a história. Foi um momento muito especial...

Com o livro nas mãos e um jeito todo delicado de se apropriar da história, Verônica remexeu no baú de minhas memórias ao narrar as aventuras da Mariana, a pescadora de estrelas que foi a responsável por minha viagem sem volta ao mundo da Literatura!

Na plateia, muitas crianças, eu com a meninada toda aqui de casa e ainda uns amigos e muitos pais, mães, avós, tios e tias empolgados com o encanto das histórias contadas pela Verônica. Bia, na primeira fila, também se emocionou com o carinho do Era uma vez e do público tão receptivo à nossa história, à nossa parceira, ao nosso primeiro encontro literário...

Foi uma tarde de domingo muito divertida. No fim da "contação", subi ao palco para falar sobre os livros, as histórias das histórias e apresentar as cantigas que acompanham dois de meus livros. Terminada a festa no Teatro fui para o térreo da livraria, conversar com os leitores e autografar os livros! A menina que pescava estrelas foi contada pelo Era uma vez, na Cultura do Iguatemi e do Casa Park, no mês de janeiro.

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Dica de Leitura

Este é um dos recentes lançamentos da escritora Vera Lúcia Dias, que faz parte do Instituto Casa de Autores de Brasília e que é bem conhecida da meninada do cerrado por suas histórias, seus livros e seus brinquedos cantados. Vera sempre conta que sua literatura é inspirada nas lembranças de sua própria infância e nos tesouros que vem juntando em suas andanças por escolas e feiras literárias. Vera adora brincar com as palavras e com a imaginação e neste livro nos faz viajar por inúmeros lugares tendo como ponto de partida um muro no fundo do quintal. O texto é gostoso, a história flui com delicadeza e as ilustrações da mexicana Cecília Rébora completam o universo de sonho e fantasia que o livro nos apresenta. Publicada pela Callis Editora já em Português e Espanhol, a história, cheia de simplicidade e magia, que Vera e Cecília nos contam, cada uma a seu modo, encanta e nos faz voltar aos bons tempos da infância, dos quintais tantos explorados muito além dos limites, das cercas e dos muros. E como ler é sempre diversão garantida vou logo respondendo que eu brinco muito, brinco de cantar, de inventar mundos, de procurar tesouros perdidos e brinco sempre de ler! E você, brinca de quê?

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Um convite para que se abra a Caixa de Memórias

Caixa de Memórias é o espetáculo que o Grupo Virtú apresenta a partir do próximo sábado e até do dia 20 de março, sempre aos sábados e domingos, às 17h30  no Teatro da ETCA ( Escola Teatral Confins Artísticos que fica na comercial da  711 norte, bloco C loja 05.
Caixa de Memórias guarda surpresas e uma mistura de linguagens muito bem amarradas e em sincronia total no palco, pra falar de forma lúdica e delicada sobre infância, velhice, lembranças e sonhos.
O espetáculo apresenta uma contação de histórias diferente sobre duas gerações distintas. São abordados temas sensoriais, históricos e regionais. Caixa de Memórias usa, para trazer o lúdico à cena, contação de histórias, bonecos de manipulação direta, manipulação de objetos inanimados, música ao vivo, coreografia cênica e imagens vocais provocando a imaginação e criatividade na criança.

Além das histórias tiradas de livros infantis, das memórias dos atores e das memórias contadas pelos pais e avós dos membros do grupo, o texto do espetáculo teve como principal inspiração diversos livros do grupo  CASA DE AUTORES, adaptados ao roteiro e que, não só definem a estética plástica do espetáculo bem como trazem à tona o universo da criança à peça.

Serviço:
Espetáculo: Caixa de Memórias
De 19 de fevereiro a 20 de março
Sábados e Domingos
Às 17:30h
Endereço: SCLRN 711 Bloco C Loja 05
Preço: R$ 20,00 (meia para classe artística, estudantes, idosos e professores)
Classificação Indicativa: LIVRE para todos os públicos
Informações: (61) 82029339 ou (61) 96796713 ou (61) 81970362
grupovirtu@gmail.com

Só pra dar água na boca, um trechinho do espetáculo aí abaixo!

Caixa de Memórias

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

A poesia do dia!


Minha escrita é alimentada diariamente pelo quanto de fantasia que floresce em mim e pelos olhares tantos, pelos sonhos tantos e pela imaginação infinita também de meus leitores. Acordei nesta manhã de terça-feira bastante sustenida, no caminho para a escola das crianças fui presenteada com um restinho de noite, mas vi a escuridão ser derretida por um rosa alaranjado tão estonteante no céu e entre os tons impressionistas da alvorada que se repete todo dia e que muitas vezes nem vejo, me flagrei sorrindo. Vi naquele quadro inaugural do dia pura poesia e me lembrei de uma apresentação que fiz no Salão da Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil, ano passado no Rio de Janeiro, quando fiz uma leitura pública de meu livro A façanha da dona aranha, il. Carol Juste, Editora Elementar, para crianças de uma escola pública de lá.

O texto narra em versos as aventuras de uma aranha costureira em busca de tudo o que precisa para tecer uma teia muito especial, tecida com métrica e rima, nos fios da fantasia para homenagear o dia da poesia. Quando encerrei a leitura, uma menina que estava diante de mim (não consigo lembrar seu nome, mas ela ficou no coração!), com o livro na mão, quis saber como eu havia conseguido fazer uma história que parecia ter outro tempo, que era devagar de um jeito que ela conseguia repetir e tão rápida  para ir do céu ao fundo do mar só num verso. Na hora não entendi a colocação, mas depois ela mesma me explicou e entendi que era o tempo da poesia, o tempo que parece eternizar infâncias e nos colocar diante da melodia das palavras como brincadeira boa de fundo de quintal de casa de vó! A explicação da menina do alto de sua sabedoria infantil: "... é assim: a gente ouve a história que tem uma musiquinha nas palavras, vai longe, dançando com as ideias e nem precisa sair do lugar. A Lia ( a aranha da história) vai em tantos lugares, no céu, no fundo do mar, no arco-íris e leva a gente junto com ela. A gente nem precisa levantar ou se mexer e tudo isso acontece antes que você mude o seu olho de um lado da página para o outro, é muito legal, eu adoro rima e poesia e adorei essa aranha!
Eu adorei a menina!

Esta singeleza foi a poesia daquele dia que ecoou hoje no alvorecer de pintura e que fez acordar em mim uma vontade enorme de versar!

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Dica de Leitura


Pedro Noite é uma delicada história contada por Caio Riter com as cores e os traços do Mateus Rios e que já está nas livrarias em edição refinada da Editora Biruta: papel de primeira qualidade que reverencia o tato,  a visão e presenteia também os outros sentidos com um projeto gráfico bem cuidado e a ousadia de falar com o coração de um tema super importante: a valorização de nossa herança negra! Pedro era um garoto cheio de sonhos, garoto "destes que de tudo ria, menino pintado de noite, olhos de estrela, boca de lua crescente, canção de pássaro entre os dentes". É assim que Caio Riter define seu personagem tão encantador e comovente com os medos, o oco dentro do peito por se perceber negro e toda a alegria ao descobrir quanta riqueza e beleza traz na pele, nas lembranças, nos cantos e na herança de seu povo. Pedro é estimulado a tentar se parecer com o que não é, enfrenta preconceitos, se entristece por não entender tanta coisa, mas se renova pleno de força e fantasia ao descobrir nas histórias de um outro tempo, mais que sua memória, seu canto de liberdade. Um canto Yorubá ( povo que antes só vivia em continentes africanos e que se espalhou pelo mundo com as navegações europeias e o tráfico de escravos e que, no Brasil, teve fortes contribuições e influências com sua cultura nas artes, na música, na língua e até na culinária), um canto de África que ecoa na escuridão cheia de brilho e encanto que Pedro Ñoite não quer mais esconder. O livro traz ainda um pequeno glossário dos termos da língua Yorubá e faz uma viagem poética pelas referências e pela nossa história! Terminei a leitura de Pedro Noite, com muitas estrelas a cintilar na alma e com a noite a querer se eternizar na retina impregnada de água e sal, a derramar meu mar aos poucos. Naveguei com Caio e Mateus, nas asas de Pedro Noite, embalada por tambores e pelos cantos todos da mãe África!

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Um dia, palíndromo!


 Palíndromo  é aquilo que se lê da mesma maneira nos dois sentidos - normalmente, da esquerda para a direita ou ao contrário, da direita para a esquerda, em Português existem palavras que se encaixam nas características como: ovo,osso,radar.  O mesmo se aplica às frases, embora a coincidência seja  tanto mais difícil de conseguir quanto maior for a frase;  um dos exemplos mais conhecidos é:  Socorram-me, subi no ônibus em Marrocos. O recurso é uma figura de linguagem bastante explorada na poesia e serve de inspiração para jogos verbais e para uma divertida brincadeira com as possibilidades da nossa língua. A data de hoje é um palíndromo perfeito: 11022011 e pode servir de incentivo para quem não conhece esta e outras artimanhas da linguagem, descobrir brincando!
Brincando de inventar palíndromos!
Só pra esquentar, algumas frases que são exemplos  clássicos de palíndromos da língua portuguesa:

ANOTARAM A DATA DA MARATONA
A DIVA EM ARGEL ALEGRA-ME A VIDA
A DROGA DA GORDA
A MALA NADA NA LAMA



Muitas leituras!

Tenho flagrado belos momentos de leitura em casa; Bia, de ouvinte e co-autora de minhas histórias passou há algum tempo a experimentar também as leituras partilhadas. Luiza usufrui destes momentos de puro afeto desde a barriga. Bia e Felipe disputavam no par ou ímpar, todos os dias, durante os nove meses de minha gravidez, quem seria o responsável pela história da barriga. O escolhido selecionava livros, inventava narrativas e muitas vezes, terminávamos a sessão cantando e rindo juntos, com Orlando também por perto. Família reunida em torno da palavra: lida, ouvida, falada, cantada e calada! 

Luiza desembarcou na vida plena de histórias e agora escolhe toda noite, além do livro que deseja "ler", o mediador do dia. Neste flagra, já na cama, antes de dormir, Bia foi a escolhida para mediar a história de ninar: The very Hunter Caterpilliar, de Eric Carle, na edição comemorativa do 40º aniversário da obra, um Pop- up em inglês, quando ainda não havia a tradução. No Brasil o livro chegou ano passado com o título A lagartinha muito comilona, pela Kalandraca da Espanha, representada aqui pela editora Callis. 

 As duas contaram e vivenciaram com a festa dos sentidos todos as aventuras da lagartinha gulosa e faminta que sai devorando tudo o que encontra pela frente! A brincadeira de tranformar os dedos em lagarta e percorrer o caminho da personagem do livro durou quase meia hora!

 Por vezes, a pequena dispensa a mediação e se entrega solitária ao diálogo com os livros. Em: Telefone sem fio de Ilam Brenman, com ilustrações de Renato Moricone, da Companhia das Letrinhas, mais gratificante que vê-la entregue às páginas do livrão, foi ouvir a história que ela, mesmo de chupeta na boca lia em voz alta: "Palhaço segredo, rei. Rei segredo ferro ( uma armadura). Ferro segredo mar ( um escafandrista antigo) e assim por diante! Delícia foi ver que em uma das páginas diante da ilustração de uma senhora muito fina e arrumada, Luiza disparou: turista segredo perua e terminou sua leitura revelando o grande segredo da história na sua interpretação: o segredo é...
... o segredo é... Claro que eu não vou contar e estragar a surpresa do livro, mas dentro do clima todo Luiza nos revelou não só uma bela percepção da história, como também um segredo muito especial: o de que ama os livros e a leitura!

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Quando a leitura vira hábito diário - o livro de ninar!

Os olhos entregam o ânimo: janelas quase se fechando para o real, para tempo de estar desperta e nas mãos um LIVRO, pequenino, do tamanho de segurar sozinha e pronto para fazer a imaginação embarcar junto para o espaço de sonhar... Para Luiza, que ouve e  "lê" histórias desde seu universo amniótico, a leitura de ninar já é hábito diário

 Nesta noite em meio aos travesseiros e edredons, a pequena escolheu o livro de uma caixinha com clássicos da disney que foi da irmã mais velha e leu em voz alta, primeiro só pra ela depois pro resto dos curiosos que se encantaram com a cena: pais e irmãos babões

Fez mais uma leitura partilhada apontando no exemplar de Dumbo a palavra escrita e ainda com pausas e viradas de livro para a plateia com a intenção de partilhar também as ilustrações. Ela ainda solicita nossas leituras, nossas mediações, mas já não depende de ninguém mais para ler e se encantar com o mundo dos livros, da literatura!

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Dica de Leitura

Lili inventa o mundo nos revela um Mário Quintana não só mestre em alinhavar palavras para bordar fantasia no cotidiano com seus versos, mas pleno também de fazer sonhar! O poeta instiga a imaginação, mistura os acontecimentos banais do dia a dia com um mundo inventado e cheio de  deliciosas aventuras. Para ler Quintana, há de se permitir ler com os olhos e com o coração e sempre, sempre com todas as portas e janelas do imaginário escancaradas. O próprio autor, na abertura do livro, manda o seu recado: " As pessoas sem imaginação podem ter tido as mais imprevistas aventuras, podem ter visitado as terras mais estranhas. Nada lhes ficou. Nada lhes sobrou. Uma vida não basta ser apenas vivida: também precisa ser sonhada."  Lili Inventa o Mundo é leitura pra ser saboreada com o "vagarinho" que a poesia nos exige e esta edição bem cuidada da Global com ilustrações de Suppa merece repousar por um bom tempo pertinho, bem ao alcance dos olhos, dos dedos, dos cheiros, dos sons e dos gostos que nos fazem viajar por todos os caminhos da sensibilidade. A poesia de Quintana tem o poder de desabrochar sensações e de eternizar infâncias!

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

O novo Jacaré Bilé


A história é a mesma, o cenário é o mesmo, os personagens são os mesmos, o cenário e as situações também, mas O Jacaré Bilé tem agora uma novidade: é um livro- cd com canções que fiz para o jacaré insone, morador de um açude no sertão do Ceará, que persegue a lua sonhando com uma tapioca gigante! A nova edição acaba de sair do forno, o cd  tem duas canções em versões cantadas e instumentais: um baião e uma embolada. Bilé agora pode ser lido, visto e ouvido!

                                O livro agora vem com o cd e traz um pouco da riqueza da cultura nordestina nos ritmos e nos arranjos musicais, cuidadosamente trabalhados por Orlando Neto, meu parceiro na Arte e na vida!
" Bilé, bilé, bilé, que jacará mané... Bilé bilé bilé, de dia nunca está de pé. Bilé, bilé, bilé só ele bota fé, que a luaaaaaa, tapioca é!"
 O baião é quase um hit entre a meninada, mas o cd traz ainda uma embolada, um desafio entre o coelho e o jacaré, no disco tive a honra de ter músicos de primeiríssima, amigos queridos que dividiram comigo a alegria de dar ritmo e melodia para o Bilé: Paulo André Tavares, nos violões; Osavaldo Amorim, no baixo; Léo Barbosa, na percussão, Juninho, nas sanfonas, Sérgio Morais, nas flautas e o escritor, músico e roedor de livros, Tino Freitas fazendo a voz do bilé na embolada!
 A Editora Biruta não deixou por menos, além da nova contracapa e do envelope do cd, fez o livro crescer duas páginas para abrigar as letras das músicas e...


Um pouco da história da história e das pesquisas todas que fiz para encontrar no meio de tanta referência bacana, de tantos ritmos e sonoridades o rumo que queria que a trilha sonora do Bilé seguisse! Estou feliz, muito feliz e já pensando em um lançamento festivo com muita tapioca, é claro!
Obrigada a todos que embarcaram comigo nesta viagem e que mergulharam na festa que é o Nordeste e no açude do Bilé!

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Dica de Leitura


A barata diz que tem tanta coisa que não tem e ainda vem sem nenhuma cerimônia, a bordo da imaginação de May Shuravel pra criar nesta história uma baita confusão com outros insetos. Inspirada na cantiga popular, a autora brinca com o jogo de palavras e num delicioso texto cheio de ritmo e cadência nos embala com seus versos rimados. É mentira da barata, faz rir um bocado, mas também nos faz pensar, e, mesmo tendo o bom humor como fio condutor de todo o enredo, toca de forma delicada e sensível  num problema muito comum nos dias de hoje: a intolerância. May pinta e borda com as palavras e, literalmente, deu cores e texturas a cada uma delas, pois o livro é também ilustrado pela autora. E como mistério nunca é demais pra saber se a barata é mesmo mentirosa ou se é tudo intriga da formiga, só mesmo embarcando nas páginas do livro!

domingo, 30 de janeiro de 2011

Dia Nacional dos Quadrinhos

Em 30 de janeiro 1869 foi publicada a primeira história em quadrinhos brasileira: As aventuras de Nhô quim ou Impressões de Uma viagem à Corte, com nove páginas duplas, tendo como personagem principal um caipira e seguindo o que hoje, só de bater o olho, reconhecemos como um quadrinho. O autor da nossa primeira HQ foi o italiano Angelo Agostini, que nasceu em Vercelli e veio morar no Brasil com 16 anos de idade. Depois dele, muitos fizeram história escrevendo ou desenhando quadrinhos e hoje, 30 de janeiro é celebrado o Dia Nacional dos quadrinhos!


As Aventuras de Nhô Quim -1869






A história em quadrinhos pioneira foi escrita e desenhada por Agostini, que só aos 32 anos de idade conseguiu a cidadania Brasileira







No Brasil temos desde de Agostini, muitos outros mestres e, sem dúvida, um que povoa o imaginário de muitas gerações: Maurício de Souza!

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Dica de Leitura


O menino e o tempo, de Bia Hetzel, com ilustrações de Graça Lima, publicado pela Manati é daqueles livros imperdíveis. O texto repleto de olhares poéticos da autora sobre a infância, a vida e o passar do tempo nos conduz por refelxões intensas. Uma pedra, um rio e um menino nos dizem muito e nos convidam a imaginar muito mais. O livro é arrebatador, cativante fez nascer um rio em mim, mudou minha ótica de enxergar as coisas, ficou morando em mim e resgatou o "para sempre" dos contos de fadas de um jeito terno e provocador, pois O menino e o tempo vai morar para sempre em meu coração e alimentar meu imaginário! Fechei o livro e continuei ouvindo o rio, percebendo a pedra e o tempo de um outro jeito. Bia, com sua poesia, faz um mergulho filosófico e impregna de infância e maravilha questões difíceis de lidar como crescer, envelhecer, passar...
Nas ilustrações, o talento e a genialidade de Graça Lima bordam a história também com sensibilidade, magia, cores e texturas que dialogam com os sentidos e revelam uma outra narrativa, tão rica e convidaditva quanto a costurada com as palavras e os silêncios de Bia Hetzel. O menino e o tempo é encantamento em estado bruto, puro e revelador. Não dá para não ler e reler muitas vezes!

sábado, 22 de janeiro de 2011

Revista CLAUDIA entrega Documento com reivindicações à Dilma Roussef

A Presidenta Dilma Roussef  recebeu, na última quinta-feira 20/01/2011, das mãos da Diretora da Revista CLAUDIA, Cynthia Greiner, a Carta de CLAUDIA. Cynthia veio especialmente à Brasília, acompanhada da Editora Patrícia Zaidan para o encontro com Dilma. Numa audiência que era para durar apenas 15 minutos e que se estendeu por quase uma hora, a presidenta recebeu o documento de 46 páginas elaborado pela Revista com propostas consideradas importantes em 12 áreas específicas. A REvista  apnta os problemas e sugere ações para cada um deles. Dilma se comprometeu não apenas a ler todo o documento, mas a incluir em seu Plano de Governo, aquilo que já não estiver contemplado entre as ações previstas para o seu mandato. "Vou ler a Carta de CLAUDIA com atenção e vou incluir aquilo que não estiver no meu Plano de Governo, disse a presidenta depois de se declarar leitora mensal de Revista e de citar a jornalista e psicanalista Carmen da Silva, que publicava artigos na Revista CLAUDIA nos anos 60. Segundo Dilma, "nossa geração deve muito a ela (Carmen)." A Carta de CLAUDIA chegou às mãos de Dilma assinada também por 150 líderes de entidades que representam as mulheres e pessoas ligadas à luta pela Igualdade de Gêneros no Brasil. CLAUDIA foi a primeira Revista a ser recebida pela presidenta Dilma! No link abaixo você pode conhecer a íntegra do Documento e conferir as fotos da entrega da Carta.

Dilma recebe A Carta de CLAUDIA – Notícias da Redação - CLAUDIA

Educação de Qualidade é uma das propostas de Claudia.

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Aletramento Fraterno - Ler para o ventre, um ato de afeto!



Sou jornalista, escritora e mãe de três filhos: Beatriz (12 anos), Felipe ( 8 anos) e Luiza (2 anos). Com os três experimentei a alegria imensa de compartilhar o amor pelos livros. Beatriz foi quem me fisgou da escrita realista e factual, exigida pelo jornalismo, para a Literatura Infantil, que hoje me permite inventar mundos e personagens. Com o Felipe o encontro com as histórias também foi natural, ele é um apaixonado por livros, por teatro, fantoches, e fantasias. Mas Luiza, que chegou no mais delicioso susto que a vida me pregou, foi a que mais cedo dividiu comigo momentos literários. Já na barriga, assim que soube que estava grávida ( e vivendo um outro tempo de florescimentos, desengavetando afetos e práticas de uma maternagem bem mais consciente e madura, pois engravidei às vésperas de completar 40 anos de idade), comecei a ler para a “barriga”. Ainda nem sabia se seria um menino ou uma menina, mas estava certa de que naqueles momentos diários com os livros eu e o bebê construíamos uma relação mais forte e de certa forma encantada. Aos poucos os irmãos mais velhos e o meu marido se integraram também ao ritual de ler e contar histórias para a “barriga”.
Não são poucos os estudos científicos que revelam o quanto os bebês no útero já são capazes de perceber afetos e interagir. Mais ainda: o quanto é fundamental incentivar todo e qualquer laço afetivo na gestação e na primeira infância. Muitos adultos insistem em subestimar a capacidade intelectual das crianças e dos bebês. De minhas experimentações artísticas e estéticas com meus filhos – que sempre ouviram músicas, leituras e histórias narradas durante a vida intrauterina e depois apreciaram espetáculos de teatro, música e poesia para bebês – surgiu a vontade de escrever para bebês. Não livrinhos, cheios de diminutivos, de frases sem sentido para estampar em pano ou plástico e declarar: “São livros-brinquedo! Para as crianças de 0 a 3 anos de idade estão ótimos, eles não sabem mesmo ler!” Ouvi muita coisa parecida quando falava que queria me dedicar a escrever para os mais miúdos. E minha vontade se transformou em quase obsessão. Comecei a ler, pesquisar, comprar livros para bebês editados em outros países, conversar com pessoas que trabalham focadas na primeira infância, com psicólogos, pediatras, neurologistas, pais, mães, avós e avôs e com as crianças também. Uma das coisas mais marcantes durante meu período de estudo sobre o assunto foi a quase unanimidade de gestantes reclamando certa ausência dos maridos no envolvimento com o bebê durante a gravidez. Nas pesquisas, a grande maioria dos pais declara só sentir a paternidade a partir do nascimento. Esse, foi outro dado que me empurrou a pensar em textos poéticos e interativos para que os pais, sejam ou não de primeira viagem, os irmãos, parentes e cuidadores possam também tecer laços de carinho com o bebê ainda no útero e por meio da leitura literária. Nos textos em que venho trabalhando, tudo parte das sensações, de estímulos, como um sopro, que funciona de diferentes jeitos para a barriga ou para o recém-nascido, mas não deixa de experimentar o tato, a delícia de soprar e ser soprado. A ideia é juntar poesia escrita, com poesia visual, e, mais que isso, poesia sensorial para permitir o tempo todo um encontro de emoções, onde os cinco sentidos que nos fazem perceber o mundo estejam conectados de forma a tecer uma teia afetiva que certamente trará benefícios para todos.
Os bebês lêem o mundo a seu modo, primeiro pela boca, depois, com a ajuda dos outros sentidos, vão construindo um repertório de possibilidades e potencialidades. O quanto antes forem estimulados e incentivados a fazer suas próprias descobertas, mais aptos e seguros vão-se tornar. A literatura pode ser uma ferramenta maravilhosa em todo o processo de desenvolvimento e é ainda uma inesgotável fonte de prazer. Livro para bebês não tem que ser apenas livro para brincar, levar para o banho ou montar e desmontar. Pode ser tudo isso também, mas tem que ser, acima de qualquer outra coisa, literário no sentido mais poético da palavra!
Algumas das histórias que escrevo para bebês são para serem lidas para a “barriga” e não apenas pela mãe que já entende muito bem o que é ter dois corações pulsando juntos ,ligados por um cordão umbilical, que no dia do parto se romperá e por outro laço, muito mais forte, que nunca será cortado! São histórias para serem “sentidas”, sopradas, cantadas, tateadas, degustadas, lidas e ouvidas quantas vezes se desejar compartilhar com o bebê, dentro e fora do útero, a emoção que sentimos porque ele já está lá!

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Dica de Leitura

Perto de Natalia Colombo, da editora espanhola Kalandraka e que chega ao Brasil graças à parceria Kalandraka/Callis nos revela uma história singela e encantadora sobre solidão, individualismo e falta de comunicação. Conheci o livro já em Português na última Bienal Internacional do Livro de SP. Acabei não comprando na época e no último fim de semana, num passeio por uma livraria que adoro visitar, pedi indicações de leituras imperdíveis ao amigo escritor, músico e Roedor de livros Tino Freitas. Perto estava entre as dicas do Tino. Assim que o descobri na prateleira, lembrei da emoção que senti em SP depois de ler o livro no estande da Callis. Fiquei um bom tempo emocionada e sentindo a força da história tão simples e verdadeira em mim e justo na enorme cidade que sempre me assusta! Perto é uma sacudida! Mostra o quanto podemos estar distantes do outro, mergulhados em nossas solidões e esquecidos de olhar além do nosso próprio umbigo. A autora nos fala de egoísmo, individualismo e solidão de forma poética ao apresentar a rotina do Sr Pato e do Sr Coelho, que sempre passam pelos mesmos lugares, estão sempre perto um do outro, mas extremamente distanciados, nunca se falaram, nunca se perceberam. Estão diariamente perto só que muito longe um do outro! A narrativa bastante visual mescla diversas técnicas como pintura com tinta acrílica, desenho e colagens e nessa mistura de cores, texturas e materiais, Natalia cria uma atmosfera bem bacana pra nos contar a história. Perto é um livro pra gente ler, reler e deixar descansar bem perto do coração!

domingo, 16 de janeiro de 2011

Uma imagem!

Lu no País das maravilhas, mas com a cara da Fada Emburrada!


Pra quem não sabe, A Fada Emburrada é um dos meus livros, com ilustrações de Romont Willy, publicado pela Editora Elementar e que em 2011 irá para a terceira reimpressão! Eu que não tenho motivos pra emburrar, não é?

Curso Tecendo histórias - nos fios do dia-a-dia se costura a fantasia - Parte 2

O curso foi compactado a pedido da direção da Creche Ceiassefe e funcionou como duas oficinas complementares. O primeiro encontro foi no fim de novembro e o segundo no dia 20 de dezembro de 2010. Entre um e outro, semeamos ideias e pedi aos participantes para que trouxessem sucata, pois faríamos a partir delas materiais de apoio para contarmos nossas histórias. Na primeira etapa trabalhamos em cima de situações reais e objetos. Nesta segunda resolvi que o príncípio de tudo seriam os livros, as narrativas já existentes. como a escola só trabalha com Educação Infantil, levei contos populares e histórias infantis. A parte teórica foi toda experimentada na prática, pois com o pouco tempo, tinha que fazer com que todas as participantes das oficinas colocassem efetivamente a "mão na massa"!

Com a sucata, cada grupo fez cenários e personagens para contar a história escolhida, este escolheu História em 3 atos de Bartolomeu Campos de Queirós, o livro em nova edição traz a história ilustrada por André Neves.


Aqui as meninas não pouparam imaginação para contar a história do pássaro que comia pedras...

Apareceram contos do escurinho da escola...

                                                Uma avó maluca e outra bem lelé da cuca!

                               O grupo completo com cenário pronto da História em três atos.

     ...E Dolores Dolorida, uma sepente cheia de não me toques e trimiliques, bastante divertida! A troca foi maravilhosa e a pedidos já estou pensando em nova turma para 2011, desta vez com o curso completo. Quem se interessar pode enviar um e-mail para alessandraroscoe@uol.com.br . A primeira turma está prevista para abril ou maio de 2011. Vamos contar histórias?

Curso Tecendo histórias - nos fios do dia-a-dia se costura a fantasia...

Foram dois encontros, no apagar das luzes de 2010! O curso, na verdade é bem mais extenso, no mínimo 12 horas de aula, geralmente divididas em quatro encontros. mas o grupo de professores e funcionários do Centro de Educação Infantil da associação dos servidores do senado Federal - Ceiassefe experimentou uma espécie de oficina avançada e o resultado foi incrível! a proposta é transformar situações cotidianas em boas histórias pra se contar, dentro e fora da sala de aula. Este foi o maior grupo com o qual compartilhei o curso de narrativa de histórias, ao todo 64 pessoas e em tão pouco tempo, achei que não conseguiríamos abordar toda a programação. 

 No primeiro módulo partimos de situações reais para criar as histórias, verdadeira caixa de memórias surgiu durante as primeiras horas da oficina.

 a ideia era com práticas simples despertar o Griot - contador de histórias - que dorme em cada um de nós, e muito mais apareceu, nossas crianças também foram acordadas!
 As narrativas foram construídas a partir de lembranças, improvisações, uso do corpo e e de objetos pra partilhar as histórias.

Objetos do dia-a-dia, que encontramos ao alcance das mãos, com o toque da imaginação, fizeram surgir contos muito legais, que puderam ser vivenciados pelo grupo.

Todos embarcaram na delicisa viagem das histórias inventadas e contadas ali, no improviso, sem pensar muito, deixando falar o coração, trazendo de volta lembranças de um tempo em que ouvir e contar histórias fazia parte dos rituais sagrados da infância e de outras idades também!



terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Dica de Leitura

Quem não conhece a deliciosa brincadeira Telefone sem fio vai descobrir ao folhear o novo livro de Ilan Brenman e Renato Moricone. Ilan, é autor conhecido dos pequenos e nem tão pequenos leitores, autor do best-seller Até as princesas soltam pum e sempre irreverente ao transformar as histórias do dia-a-dia com as crianças em livros super bacanas. Ele conta que a ideia do novo livro surgiu num dia de praia com as crianças inquietas. Na tentativa de alcalmar os ânimos surgiu a brincadeira em que cada pessoa cochicha o que ouve em segredo no ouvido de quem está ao lado. Foi uma farra só, crianças e adultos se divertiram pra valer e a história do livro surgiu de uma forma diferente em imagens. Ilan convidou o amigo Renato Moricone para dar forma e cores a sua ideia e nasceu Telefone sem fio, um livro grandão, com lindas ilustrações e espaço pra muita imaginação que a Companhia das Letrinhas publicou com um projeto gráfico inovador e indica para crianças a partir de três anos. Aqui em casa, Luiza, que tem dois anos, adorou e inventou situações engraçadíssimas virando as páginas do livro. Aliás, muitas foram as histórias e brincadeiras que partiram da leitura. Este talvez seja o grande barato do livro de imagem: o leitor pode inventar e "ler" quantas histórias quiser!

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Dia do Leitor

Hoje, 7 de janeiro é o dia do leitor, data que é simbólica, afinal, o bom leitor, aquele que realmente se encanta com o poder do lúdico, com a fantasia e o real que a literatura oferece, não precisa de datas e significados para se entregar ao grande prazer que é mergulhar no infinito das páginas de um livro. Como Contos, cantos e encantos é um espaço focado na leitura, na leitura literária e na infância, não poderia deixar de registrar e comemorar a data. E o melhor jeito de comemorar é com livros, muitos livros. Poderia indicar uma lista de leituras imperdíveis, mas como ler também é escolher destinos e rumos, fica a sugestão: escolha o seu livro e a sua maneira de encontrá-lo - seja na solidão de seu próprio silêncio para ouvir a voz do outro que se revela nas páginas do escolhido, ou num momento em família, numa leitura compartilhada - e entregue-se pra valer à sua viagem. Eu, aproveitei para reler Cora Coralina pela manhã, André Neves na hora do almoço, Fernanda Lopes de Almeida à tarde, preparo-me para encontrar Daniel Munduruku à noitinha e dormir embalada por acalantadoras palavras e tantos universos desvendados. Muitas, muitas leituras para todos!
A vocês, meus leitores, meu agradecimento por permitirem que eu partilhe as histórias que moram em mim!

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Quando desacelerar é preciso!

Todo fim de ano é uma correria só e muitas vezes quando o novo ano desembarca em nossos dias, eles continuam em ritmo alucinado e por isso mesmo é preciso saber desacelerar! É preciso reconhecer que nada é mais importante que o tempo de contemplar. Contemplar as estrelas, o silêncio, que nos fala tanto, a vida, seguindo seu rumo! Começo 2011 assim, contemplativa e em pleno processo de desaceleração colocado em prática já nos primeiros dias do ano! Que ele siga calmo, sereno e repleto de sonhos pra sonhar e realizar!

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Primeira parte da entrevista ao Programa Cidadania da Tv Senado sobre Literatura e Infância

Segunda parte da entrevista ao jornalista Beto Almeida no Programa Cidadania da Tv Senado sobre Literatura e infância

Dica de Leitura

Começo o ano com uma dica de leitura bem atual, pois em tempos de redes sociais, tecnologias na palma da mão e sim, e-books, ele, o livro de papel tem seu lugar e, segundo garantem alguns apaixonados, nunca perderá a majestade. Na divertida história de Lane Smith, uma declaração de amor ao livro e às letras impressas, toda a importância do livro é destacada e de um jeito muito bacana! O macaco está lá quietinho, envolvido com a viagem que seu amigo livro proporciona e é a partir da leitura do macaco e da curiosidade de um burro super atualizado com as novas tecnologias, que surge a bem humorada crítica ao imediatismo que a modernidade tantas vezes nos impõe. O título diz tudo: É um livro. E para o autor, isso basta! Não precisa ser ligado, não exige senha de acesso, não apita, não manda mensagens, nem exibe videos, mas escancara portas e janelas de um mundo repleto de sonho e fantasia!  Lane Smith é americano, estudou artes plásticas e além de escrever, também ilustra livros para crianças. Aqui no Brasil, um de seus livros mais conhecidos é o que surgiu  da parceria com Jon Scieszka: A verdadeira história dos três porquinhos, escrito por Jon e ilustrado por Lane, da Companhia das Letrinhas, editora responsável também pelo publicação de É um livro. Nesta história bastante engraçada, Lane Smith nos convida a refletir também sobre as coisas simples da vida. É um livro delicioso para ser degustado não só pelas crianças. O título, lançado aqui em 2010,  foi parar na lista dos melhores infantis do ano do jornal O Estado de São Paulo, elaborada com o voto de 10 jurados, especialistas em literatura  e educação de todo o país. E já entrou também para a lista dos melhores de Contos,cantos e encantos!

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

No último dia do ano...

O texto é do saudoso Quintana, o lindo cartão, da amiga querida e talentosa ilustradora, Marília Pirillo que publico aqui com meus votos de um 2011 esplendoroso pra todos nós!

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Dica de Leitura

A última dica de leitura do ano vem com sabor de descoberta, ou de redescoberta. Remexendo a estante dos favoritos encontrei nesta última segunda-feira de 2010 o livro Histórias para aprender a sonhar - contos de fantasia de Oscar Wilde. Um livro repleto de agradáveis surpresas. A primeira delas: descobrir um Oscar Wilde focado no imaginário infantil e tão pleno de fantasia e encantamento. As histórias são arrebatadoras e de uma densidade poética impressionante. Wilde tornou-se conhecido no mundo inteiro com a obra O Retrato de Dorian Gray, que virou peça de teatro e filme e foi traduzida para várias línguas, mas pouquíssimo de seu trabalho chegou até nós. Nesta compilação de textos infanto-juvenis, a Companhia das Letrinhas resgata parte da extensa obra de Wilde, dramaturgo, poeta e escritor irlandês, que viveu na segunda metade do século passado, entre 1854 e 1900 e tornou-se um dos maiores e mais respeitados poetas da Era Vitoriana, na Inglaterra. Naquela época tudo era diferente, não existiam tasntas máquinas, as pessoas trabalhavam demais e ganhavam muito pouco e foi pensando nas injustiças e sonhando com um mundo melhor, que Oscar Wilde escreveu estes contos, na tentativa de fazer com que todas as pessoas ao menos sonhassem com um mundo melhor e que impulsionadas por seus sonhos, pudessem lutar por esse mundo sonhado.

O livro reúne quatro contos: O príncipe feliz; A cotovia e a rosa; O gigante egoísta e O aniversário da Infanta, ilustrados por Odilon Morais que, inspirado pela atmosfera de Wilde, usou poucas cores, traços firmes e muito contraste para criar luz e climas em todos os desenhos. A tradução de Nicolau Sevcenko busca ser fiel a uma das preocupações de Oscar Wilde com a questão dos gêneros, como explica o próprio tradutor, que depois de ler traduções várias dos contos e os originais de Wilde concluiu por exemplo, que o pássaro da conhecida história, traduzida literalmente como O Rouxinol e a Rosa, era uma ave fêmea e por isso encontrou na cotovia sua melhor expressão.

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Um cartão de Natal bem animado!

A ideia foi das crianças, elas fizeram cartões animados e enviaram por e-mail, hoje concluíram uma composição conjunta e em diversas versões. Eu aproveito para desejar a todos um ótimo Natal e um 2011 cheio de boas histórias e infinitas leituras! Escolha a sua versão:

versão tradicional
versão Charleston
versão Hip hop
versão Anos 80

Dica de Leitura

Quem não se lembra do famoso rato de Walt Disney como protagonista desta história? Pois foi ele, o Mickey Mouse, que de chapéu e manto estrelado, voando na vassoura de seu mestre, tornou O aprendiz de feiticeiro conhecido no mundo todo. O filme povoou várias infâncias e a história continua inspirando muita gente. Neste belo livro da Editora Cosac Naify é possível descobrir, não sem menos magia, o começo de tudo: a versão integral do poema de J. W. Goethe (1749-1832) na tradução de Mônica Rodrigues da Costa, e em edição bilíngue ( Alemão e Português). Pra completar o presente, o premiado ilustrador Nelson Cruz captou o espírito divertido que percorre o texto e criou ângulos cinematográficos, num desenho de grande riqueza arquitetônica, com referência nos traços do artista Mauritz Cornelis Escher. Taí uma dica bem bacana pra presentear neste Natal. O livro encanta pelo texto original, pelas incríveis ilustrações do Nelson e pelo cuidado gráfico e editorial que vem fazendo da Cosac Naify uma editora diferenciada! Ah, e, com certeza, vai agradar não só as crianças!

sábado, 18 de dezembro de 2010

Festival Internacional de Teatro de Objetos, última chance de conferir em Brasília, o encanto do teatro feito com objetos do dia-a-dia!

Há dois dias estou mergulhada com as crianças  na programação do Festival Internacional de Teatro de Objetos - FITO. Um mundo mágico e repleto de encantamento, capaz de transformar simples objetos do dia-a-dia em personagens e histórias cativantes. Grupos de vários países e do Brasil se revezam em tendas e salas com apresentações seguidas. No palco central e no meio do público também, performances das mais variadas, sempre tendo como personagens, eles: os objetos! O público pode interagir, soltar a imaginação, mudar o jeito de ver as coisas ao perceber num simples abridor de garrafa, uma delicada bailarina, ou numa rodela de queijo, a lua e seu mistérios! Os pequenos se inebriam de tanta beleza e os mais crescidos voltam os ponteiros do relógio do tempo e se reencontram com a própria infância ao descobrir ali, diante dos olhos, que são pequenos para tanta maravilha, para tanta poesia! Pra quem ainda não viu, resta a última chance, aqui em Brasília, o FITO fica até amanhã, domingo 19/12, no Centro de Convenções. Toda a programação é gratuita. PRa dar mais água na boca, compartilho o vídeo com trechos de um dos espetáculos que fazem parte do Festival!




quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Festival Internacional de Teatro de Objetos FITO em Brasília.






De hoje até domingo a magia toma conta do Centro de Convenções Ulisses Guimarães, em Brasília. O local servirá de palco para o FITO - Festival Internacional de Teatro de Objetos, com apresentações, oficinas e extensa programação de espetáculos com grupos de Brasil, da Argentina, França, Itália, Israel e Canadá. Chaleiras que viram senhoras raivosas, abridores que se transformam em protagonistas de histórias fantásticas, sapatos que ganham alma e desfilam sentimentos, tudo ali, diante dos olhos da plateia. Toda a programação é gratuita, mas para os espetáculos  nas salas de teatro, pois muitos acontecem no meio do público em locais de circulação, é preciso retirar o ingresso, limitado a um por pessoa, meia hora antes do início da peça. Para conferir a programação completa, vídeos e fotos dos espetáculos basta clicar aqui.

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

A velha a fiar

Este é considerado o p´rimeiro videoclipe brasileiro! Um filme de Humberto Mauro de 1964, ilustrando a cantiga popular. A versão interpretada pelo Trio Irakitan integra o LP Cantigas para crianças de 6 a 60 anos de idade, que embalou minha infância nos quintais tantos de Minas Gerais!

Dica de Leitura

Ando bem encantada com os mitos e as histórias resgatadas da oralidade, da cultura popular e, mais do que pela magia dos rituais, ando apaixonada pela palavra que Daniel Munduruku, nascido numa aldeia no Pará e sempre entre aldeias e cidades, nos revela com doçura em cada um dos seus tantos livros. Neste, o autor nos presenteia com narrativas marcantes e com belas ilustrações de crianças Mundurukus. O livro reúne mitos tradicionais do povo Munduruku e faz parte da Coleção Memórias Ancestrais, coordenada por Daniel com o propósito de reunir autores indígenas de todo o Brasil. As serpentes que roubaram a noite e outros mitos foi publicado pela Editora Peirópolis e nos revela a beleza de histórias passadas de geração em geração por um povo que acredita que todos nós nascemos vazios e vamos nos tornando repletos de vida ao experimentar a própria existência. Este livro é para ser celebrado, partilhado como faziam os mais velhos numa festa dos sentidos todos, ao redor do fogo, contando e preservando mitos e afetos!

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Desadormecer histórias...

Os dias ainda têm sido corridos demais e o tempo para as palavras quase é apenas o de adormecê-las, fazê-las esperar dentro de um caderno, numa gaveta de memória, num rabisco de improviso pra que não se perca a poesia! Os cadernos e blocos têm sido companheiros inseparáveis e sempre mais de um. Difícil depois é tentar organizar, cadenciar ideias que se plantam caóticamente numa ou noutra página. Assim vou preservando minha desorganização criativa e vez ou outra me surpreendo ao encontrar num bloco guardado um embrião de história que andava sonhando esquecida e que se mostra pronta para desadormecer!

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Dica de Leitura

Com texto de Érico Veríssimo e ilustrações de Eva Furnari, As aventuras do avião vermelho, publicado pela Companhia das Letrinhas  traz uma história encantadora e cheia de surpresas sobre um garoto que ganha de presente do pai um livro recheado de aventuras. Entre viagens imaginárias e terras distantes, Fernando percorre com o personagem da história, o Capitão Tormenta os mais diversos destinos. Na companhia de um urso ruivo e de um boneco, chamado Chocolate, o garoto vai até a lua, desbrava continentes e até vê o seu avião vermelho se transformar em submarino pra desvendar também os mistérios do fundo do mar! As ilustrações da divertida Eva Furnari são uma história à parte! Este é daqueles livros que a gente nunca se cansa de olhar e degustar!

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Asas




Hoje tratei de plantar em mim um par de asas para enraizar-me nos céus de todos os tons. Tratei de encontrar nuvens e de furtar-lhes certa leveza para poder seguir pedalando meus sonhos!