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quinta-feira, 29 de julho de 2010

Campanha por mais livro virou também questão de prova na Escola de Educação Básica e Profissional da UFMG!

A Campanha por mais livro e leitura na programação das tvs abertas está do o que falar e o que escrever também!




O texto foi reproduzido da notícia sobre a Campanha no blog do Pró-Leitura! Fiquei curiosa para conhecer os textos dos alunos do 9º ano. A produção foi proposta pela professora de Português.

Campanha por mais livro e leitura na tv em destaque no Observatório da Imprensa em artigo do escritor Gabriel Perissé!


Sempre acompanho os boletins do Observatório da Imprensa e foi com surpresa que vi na edição de hoje o comentário do escritor Gabriel Perissé, também professor da USP, sobre a matéria da edição desta semana da Revista Época, que analisa a Educação no país. Gabriel apoiou e citou a Campanha por mais livro e leitura na tv. Mais que isso, apresentou a iniciativa como ideia para o próximo governo criar realmente uma obsessão pela leitura! A petição continua recebendo assinaturas! Para ler a carta da campanha e apoiar, assinando a petição é só clicar aqui


OBSERVATÓRIO DA IMPRENSA

Quinta-feira, 29 de julho de 2010

ISSN 1519-7670 - Ano 15 - nº 599 - 20/7/2010

Caderno da Cidadania

EDUCAÇÃO E ELEIÇÕES

Quatro ideias para o próximo governo

Por Gabriel Perissé em 20/7/2010

Na revista Época desta semana (nº 635) um destaque para os modos de melhorar a educação nacional. Com base nos resultados do Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica) de 2009, as jornalistas Ana Aranha e Heliana Frazão propõem para o próximo governo federal quatro ideias.
Primeira ideia, "a obsessão da leitura". Alunos que leem mais tornam-se mais curiosos, escrevem melhor, conversam com profundidade. Não é ideia nova, mas precisa sair do mundo das boas palavras e se tornar obsessão coletiva, envolvendo pais, professores, secretários de Educação, prefeitos, comunicadores, empresários. A ideia, portanto, deve obcecar mais gente, a sociedade inteira. Iniciativas como a da jornalista e escritora Alessandra Pontes Roscoe, por exemplo, merecem ser conhecidas e apoiadas.
A segunda sugestão da revista Época para os candidatos à presidência é "foco no professor". Pressupõe-se que boa parte dos nossos problemas educacionais reside na formação precária do docente brasileiro. Contudo, não basta atentar para o professor e dele cobrar excelência. Existem situações que inviabilizam as mais apuradas ações didáticas.

Gabriel Perissé

Doutor em Educação pela USP e escritor - www.perisse.com.br

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Campanha por mais livro e leitura na programação da Tv aberta ganha mais um apoio importante!

Depois do apoio formal de escritores, ilustradores, jornalistas, editores e livreiros, do diretor de Livro e Leitura do Ministério da Cultura, de várias entidades ligadas ao livro e de parlamentares como a Senadora Patrícia Saboya, a Campanha por mais livro e leitura na TV aberta conta agora com o apoio da Câmara Brasileira do Livro, em resposta a um comunicado meu sobre as diretrizes da Campanha, a presidente da CBL, Rosely Boschinni manifestou pessoalmente seu apoio na carta que transcrevo abaixo:

"Cara Alessandra,


Primeiramente agradeço o seu e-mail e confiança na Câmara Brasileira do Livro.

Em segundo lugar, aceite, em meu nome e em nome da Diretoria da CBL, os cumprimentos pela bela iniciativa em prol de mais livro e leitura na TV.   Concordo totalmente com o trecho abaixo que diz que o livro pode transformar realidades.   Pode e transforma.

O apoio da CBL à causa do livro e da leitura tem sido amplo e irrestrito.   Nesse sentido, penso que mais forte e frutífera será a nossa luta –  em todas as instâncias (poder público, meios de comunicação, setor editorial, escritores e iniciativa privada) – quanto mais coesos e unidos estivermos todos.

Assim, reafirmo o apoio da CBL à Campanha Por Mais Livro e Leitura na TV.


Abraço,

Rosely Boschini
Presidente
Câmara Brasileira do Livro"

O trecho a que Rosely se refere sobre a capacidade de o livro transformar realidades está na Carta da Campanha, publicada aqui no blog no canto superior direito e também no documento da petição que pode ser assinado na internet no seguinte endereço:


No ú;timo campo que está em branco e é obrigatório para postar a assinatura, basta colocar profissão, estado e país.


quinta-feira, 6 de maio de 2010

Campanha por mais livro e leitura na TV ganha apoio parlamentar

A Campanha por mais livro e leitura na programação das tvs abertas ganhou hoje o apoio da Senadora Patrícia Saboya do PDT, do Ceará, que coordena no Senado a Frente Parlamentar pelos Direitos da Criança e do Adolescente. Agradeço imensamente a seriedade com que a campanha vem sendo tratada desde novembro do ano passado e espero que a mobilização seja cada dia maior, afinal, ler é um grande prazer que não pode ser privilégio de poucos, como ainda é.

Abaixo a declaração da senadora:


“Criar o hábito da leitura também fora da escola é fundamental para desenvolver a capacidade cognitiva e a criatividade e ampliar a visão de mundo das nossas crianças e adolescentes, transformando-os em cidadãos mais preocupados com a coletividade. A mídia é um instrumento extremamente importante nesta caminhada pela formação de novos leitores. Fazemos um apelo para que os autores de novelas, minisséries, especiais e outros programas de ficção, além dos apresentadores e roteiristas de programas de auditório, especialmente das TVs abertas, levem o livro e o ato de ler para dentro de suas histórias e discussões. Raramente, vemos crianças, adolescentes, jovens e mesmo adultos lendo um livro, recomendando-o a um amigo ou comentando seu conteúdo na programação das TVs. Não deixamos de reconhecer que esse cenário está mudando aos poucos, mesmo que timidamente. Alguns apresentadores, como Faustão e Luciano Huck, da TV Globo, já mostram sensibilidade para tratar o tema da leitura e do ensino da língua portuguesa em seus programas. Mas é preciso avançar muito mais. Imaginem se Luciana, a jovem que ficou tetraplégica em Viver a Vida (a novela das 21 horas da TV Globo), por exemplo, indicasse em seu blog um bom livro? Imaginem se a menina Rafaela ganhasse de presente de seu padastro argentino em seu aniversário um clássico da literatura infantil como “O Menino do Dedo Verde”, de Maurice Druon? Com certeza, isso geraria uma corrida por estes livros. Por esse motivo, não só apoiamos como aplaudimos a “Campanha por mais livro e leitura na Programação das TVs Abertas”.


Senadora Patrícia Saboya (PDT-CE), coordenadora, no Senado, da Frente Parlamentar em Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Associação Nacional de Escritores e Ilustradores de Literatura Infantil e Juvenil também manifesta apoio à Campanha por mais livros na TV!

A Associação de Escritores e Ilustradores de Literatura Infantil e Juvenil AEI-LIJ encaminhou também uma Carta de apoio à nossa Campanha Por mais livro e leitura na programação das TVs abertas. Para ler a íntegra do documento é só clicar aqui
Todo apoi é benvindo!
Obrigada a todos da AEI-LIJ!

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Diretor de Livro e Leitura do MinC manifesta apoio à Campanha Por mais livro e leitura na programação das TVs abertas!

Desde o início da Campanha Por mais livro e leitura na programação das TVs abertas, em novembro do ano passado, a Diretoria de Livro , Leitura e Literatura do Ministério da Cultura vem ajudando a divulgar a iniciativa. Agora, o titular da pasta, Fabiano dos Santos, decidiu apoiar pessoalmente a nossa ideia e mandou um depoimento para ser anexado à Carta que será entregue à Diretoria da Abert.
Assim como Fabiano, várias pessoas e entidades já formalizaram o apoio e ainda há tempo para quem quiser fazer parte da Campanha. Seja em forma de depoimento aqui no blogue ou encaminhando a declaração para o e-mail: alessandraroscoe@uol.com.br,  você também pode participar e contribuir para que o Brasil com a ajuda dos meios de Comunicação e, principalmente, da Televisão seja cada vez mais um país de Leitores
Abaixo, o depoiemnto do Fabiano dos Santos e à direita, permanentemente  no blogue, a Carta da Camapnha.

"Acreditamos no poder humanizador da literatura. Sabemos que a leitura torna os sujeitos mais sensíveis, tolerantes, democráticos e livres. Embora escritores, intelectuais, professores, editores, ONGs, entidades privadas e públicas, bem como livreiros travem uma cruzada pela sua difusão, os índices de leitura literária no Brasil ainda são insignificantes. É urgente que o país se transforme num país de leitores para que nossos horizontes civilizatórios se ampliem. Observamos que a TV, cada vez mais, é capaz de influenciar atitudes, mudar comportamentos e mobilizar as pessoas em prol de determinadas idéias. Um exemplo disso é que um capítulo de novela, que se passava na Pinacoteca de São Paulo, foi suficiente para levar multidões a visitar uma exposição de arte de Rodin. Por isso, é importante que no cotidiano da TV seja inserida a relação com o livro. Escolher, trocar, indicar, comprar, presentear, conviver com livros e comentar livros deve fazer parte do mundo imaginário criado pelas novelas e pelos programas de entretenimento da TV, assim como faz parte do universo real das pessoas leitoras. Um pequeno esforço, uma pequena iniciativa, pode gerar um efeito benéfico imensurável à sociedade. Desse modo, com certeza teremos um mundo melhor. Estamos certos de que a TV brasileira vai aderir a essa campanha mais que oportuna e justa."

Fabiano dos Santos Piúba
Diretor de Livro, Leitura e Literatura da SAI/MinC

quarta-feira, 17 de março de 2010

Aviso aos visitantes e aos seguidores...

Assim que terminar as postagens sobre a Festa Literária de Pirenópolis trarei novas notícias sobre a Campanha por mais livro e leitura na programação das tvs abertas e sobre o Concurso: Minha história de amor pelos livros. Aguardem!

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Livro também dá samba e carnaval campeão!

Uma história sobre livros foi a grande sensação do carnaval carioca e devolveu, depois de mais de 70 anos, o título de campeã à escola de samba Unidos da Tijuca. Os mistérios de Alexandria e o grande incêndio que destruiu sua biblioteca famosa, queimando os livros surpreenderam na Avenida e empolgaram todo o público.
A comissão de frente da Escola azul e amarela, em que mulheres trocavam de roupa como num truque de mágica, virou ícone do Carnaval e tirou nota máxima dos jurados. A ideia do enredo da Escola veio através de um site de relacionamentos. O adolescente Vinícius Ferraz, de 14 anos, enviou uma mensagem para o carnavalesco da Escola, Paulo Barros e ele gostou da sugestão. Na quarta-feira, o jovem estava ao lado de Barros durante a apuração, bastante orgulhoso. Ele contou que tudo começou por causa de um livro, depois de ler Atlantis, do candaense David Gibbins, ele decidiu sugerir o tema, que, na Passarela do Samba, acabou faturando o carnaval carioca deste ano.

foto de Carlos Moraes da Agência O Dia

Terceira escola a entrar na Avenida no domingo, a Unidos da Tijuca levou para a Sapucaí um enredo sobre os diversos tipos de segredo e fez um desfile histórico. Com alegorias originais e inovadoras, a escola conseguiu produzir um espetáculo visual perfeito.
O abre-alas, reproduziu o incêndio que destruiu a Biblioteca de Alexandria na Antiguidade, encantou o público e foi aplaudido do início ao fim. Em termpos de Movimento Brasil Literário e da Campanha por mais livro e leitura na programação das tvs abertas, a consagração da Unidos da Tijuca, além de confirmar que livro também dá samba, vem mostrar que apostar nos livros e na leitura literária é sempre uma grande ideia!

sábado, 13 de fevereiro de 2010

Campanha por mais livro e leitura na programação das Tvs


Carta Aberta:

O que falta para que o Brasil seja realmente um país de leitores?

Falta muito. Falta garantir a todos os brasileiros o acesso ao livro e às bibliotecas. Falta desvincular a leitura do rol de obrigações escolares, falta acreditar no poder do imaginário e da fantasia para transformar realidades. Falta o incentivo para que ler seja, acima de tudo, o que realmente é: um grande prazer! Falta, principalmente, fazer com o que a leitura esteja em toda a parte e que seja incluída no repertório de atividades das quais as pessoas não queiram abrir mão ou deixar em segundo plano. Na luta para que o Brasil se torne um país literário, estão unidos escritores, ilustradores, editores, livreiros, entidades das mais diversas áreas de atuação, anônimos... Várias ações se desenham e ganham força, na tentativa de ver a vontade de tantos se concretizar em ações. A semente plantada pelo Manifesto por um Brasil Literário, escrito e tornado público pelo escritor Bartolomeu Campos de Queirós começa a dar frutos. Uma grande campanha está sendo articulada com apoio e recursos institucionais e não são poucas as pessoas dispostas a dar vez e voz aos anseios de tornar o Brasil um país no qual se valorize com todas as letras a leitura literária, aquela que segundo Bartolomeu, "promove em nós um desejo delicado de ver democratizada a razão. Passamos a escutar e compreender que o singular de cada um - homens e mulheres - é que determina sua forma de relação. Todo sujeito guarda ,bem dentro de si, um outro mundo possível. Pela leitura literária esse anseio ganha corpo... E tudo, a literatura realiza, de maneira instransferível, e segundo a experiência pessoal de cada leitor. Isto se faz claro quando diante de um texto nos confidenciamos: 'ele falou antes de mim' ou 'ele adivinhou o que eu queria dizer'."

Ainda temos um longo caminho a percorrer para que esse "tudo" que a literatura é capaz de realizar esteja ao alcance de todo cidadão brasileiro. E, com certeza, o caminho se tornaria bem mais curto com a ajuda do chamado quarto poder! Os meios de comunicação de massa são armas poderosas e especialmente a TV com sua enorme audiência poderia fazer muito pela literatura. Incluir o livro e a leitura em sua programação seja ela ficcional ou real, já seria um grande começo. Por enquanto são raríssimas, quando não ausentes, as cenas nos programas e nas novelas em que o livro aparece! Na ficção, sobram tentativas de imitar a realidade: personagens vivem dramas e cotidianos bem parecidos com o de muitos na vida real. E nunca ( ou quase nunca) lêem, frequentam bibliotecas, clubes de leitura, falam de livros, têm o rumo de suas vidas mudadas a partir do encontro com a literatura. Nunca presenteiam outras pessoas com livros. Na ficção das novelas e mesmo nos programas da Tv aberta, a literatura é praticamente ignorada. Crianças, jovens e adultos aparecem diante das câmeras nas mais diversas situações, influenciam comportamentos e hábitos ( não é à toa que o merchandising de produtos é cada vez mais presente na telinha) e infelizmente não incluem o mundo do livro e da literatura. Isso precisa mudar! É um pequeno passo que pode encurtar distâncias e fazer toda a diferença!

Essa é a carta que a Campanha por mais livro e leitura na programação das Tvs vai protocolar formalmente na direção da ABERT ( Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão) e encaminhar às diretorias de programação de todos os canais de Tv aberta no país. Vou acrescentar ao documento todos os comentários feitos nas postagens sobre a campanha e as matérias veiculadas na web e nos jornais sobre a Campanha. Quem quiser se manifestar ainda está em tempo!



quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Mais um resultado positivo!

A Campanha por mais livro e leitura na programação das tvs abertas marcou mais um ponto! Vai ao ar nesta quinta-feira no fim do capítulo de hoje da novela Viver a vida mais um depoimento que tem o livro como ponto de partida para a superação! Fui avisada por e-mail pela diretora da emissora, Maria Rodrigues, responsável pelos depoimentos finais e reais que encerram diariamente o folhetim global, de que hoje será veiculada a história de um ex-presidiário que teve a vida mudada por causa dos livros. Fico muito feliz. Àqueles que me perguntam sempre porque tenho feito tanta propaganda da novela de Manoel Carlos e mesmo de alguns outros programas da Globo, explico: a campanha Por mais livro e leitura na tv está no ar desde 18 de novembro último. Foram disparados e-mails para todas as emissoras, ganhei vigilantes de plantão e só me chegam notícias de citações e aparições de livros na Globo. Agradeço a todos que têm ajudado a divulgar a iniciativa e àqueles que mais do que apoiarem a ideia estão nos dando vez e voz!

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Campanha por mais livro e leitura na programação das TVs abertas

Nelson Motta está “em êxtase literário” desde que descobriu que dois participantes do “BBB 10” apareceram no programa lendo seu livro Vale tudo — O som e a fúria de Tim Maia “É a glória do escritor”, brincou. “As livrarias estão sentindo os efeitos, muita gente quer dar uma olhadinha. BBB é cultura!”

A notinha saiu na coluna Gente Boa do jornal O Globo e não deixa de ser um reflexo do que acreditamos nós: a TV faz milagres. Pode e deve incentivar a cultura e, especificamente, a leitura.

Fonte: Publishnews





segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Campanha por mais livro e leitura na programação das Tvs

Mais uma personagem apareceu lendo em cena na trama global das 20 horas. Desta vez foi a Helena interpretada por Thaís Araújo. Engraçado é que desde que iniciei a campanha por mais livro e leitura na programação das TVs  ganhei um time de informantes sempre antenados que à menor citação literária ou cena em que o livro apareça, seja nas novelas, nos programas ou nas notícias tratam de mandar e-mail. Ainda é muito pequeno o espaço dado à leitura nas TVs, mas quando as novelas e numa das emissoras de maior audiência do país começam a mostrar personagens lendo e lendo por prazer, é sinal de algo começa a mudar. Tomara que mude mesmo e que cenas como a do encontro de uma das famosas e tantas Helenas de Manoel Carlos com a leitura se repitam a ponto de não mais terem de ser comentadas como algo fora do comum. O recado que tenho tentado dar e que percebo, algumas emissoras já entenderam, é um só: num país como o nosso, com a força que tem a televisão e com tão baixos índices de leitura, o veículo pode fazer muito e com pequenas atitudes. A Campanha ganhou o apoio da rede de livrarias Cultura que ajuda na divulgação e que já envolveu funcionários de vários estados. O Movimento Brasil Literário também se alinha com a proposta e aos poucos uma rede pró leitura vem se formando com os diversos apoios que nos chegam diariamente.
Agradeço a todos.

domingo, 27 de dezembro de 2009

Por mais livro e leitura na programação das Tvs

Fico repleta de esperança e não qualquer esperança, ao perceber, na programação da Rede Globo, que tem indiscutível audiência em todo o Brasil, algumas cenas nas novelas, depoimentos e mesmo matérias jornalísitcas tendo a leitura como foco. Só pra citar alguns momentos: no folhetim das sete da noite, uma das personagens centrais apareceu em cena sendo presenteada com um livro de receitas, falou sobre a felicidade de receber aquele presente e da importância da leitura em sua vida e do gosto que sempre cultivou pelo ato de ler. Na novela das oito, duas personagens já apareceram com livro nas mãos, uma contando história para o filho e outra, uma modelo, no ensaio fotográfico, como se estivesse lendo. Nos depoimentos reais que encerram a novela, pelo menos três nas últimas semanas falaram da importância do letramento e tiveram a batalha contra o analfabetismo como ponto de partida para as histórias de superação. Num deles, até a famosa frase de Monteiro Lobato de que "um país se faz com homens e livros" foi citada. Mas no capítulo de sábado 26/12 da novela Viver a Vida de Manoel Carlos um momento emocionou. Foi  durante a comemoração do Natal na família de Luciana, personagem vivida por Aline Morais, que ficou tetraplégica depois de um acidente, a avó da garota, interpretada por Lolita Rodrigues declamou um poema de Mário Quintana. A poesia deu o tom da cena e foi encerrada pela personagem de Lilian Cabral, porque Lolita Rodrigues com a voz embargada não conseguiu falar os últimos versos.
Ainda na útlima semana, uma matéria do talentoso jornalista Marcelo Canelas narrou a história de uma presidiária que está prestes a deixar a cadeia depois de cumprir pena por tráfico de drogas. Segundo Canelas, a mulher que descobriu na prisão a sua liberdade conta que ganhou asas ao ser designada para trabalhar na biblioteca do presídio. Leu os clássicos de Machado de Assis e de tantos outros, conheceu poesias e histórias às vezes distantes, às vezes muito próximas da sua própria história.  Encontrou atrás das grades a paixão pela literatura. Há pouco mais de um mês tenho disparado e-mails e telefonemas para diretores de programas de várias emissoras, jornalistas, artistas e formadores de opinião. Muitos apoios chegam de onde menos espero e, sinceramente, fico feliz de ver que numa das maiores e mais respeitadas emissoras de Tv do país alguma coisa parece estar mudando. Podem ser pequenos gestos, mas são importantíssimos e demonstram a boa vontade de tantos com uma causa que não é só minha.
Ah, sim! A poesia do Quintana?

Esperança
Lá bem no alto do décimo segundo andar do Ano

Vive uma louca chamada Esperança

E ela pensa que quando todas as sirenas

Todas as buzinas

Todos os reco-recos tocarem

Atira-se

E

— ó delicioso vôo!

Ela será encontrada miraculosamente incólume na calçada,

Outra vez criança...

E em torno dela indagará o povo:

— Como é teu nome, meninazinha de olhos verdes?

E ela lhes dirá

(É preciso dizer-lhes tudo de novo!)

Ela lhes dirá bem devagarinho, para que não esqueçam:

— O meu nome é ES-PE-RAN-ÇA...



Texto de Mário Quintana extraído do livro "Nova Antologia Poética", Editora Globo - São Paulo, 1998, pág. 118.






segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Por mais livro e leitura na Tv

O que falta para que o Brasil seja realmente um país de leitores?


Falta muito. Falta garantir a todos os brasileiros o acesso ao livro e às bibliotecas. Falta desvincular a leitura do rol de obrigações escolares, falta acreditar no poder do imaginário e da fantasia para transformar realidades. Falta o incentivo para que ler seja, acima de tudo, o que realmente é: um grande prazer! Falta, principalmente, fazer com o que a leitura esteja em toda a parte e que seja incluída no repertório de atividades das quais as pessoas não queiram abrir mão ou deixar em segundo plano. Na luta para que o Brasil se torne um país literário, estão unidos escritores, ilustradores, editores, livreiros, entidades das mais diversas áreas de atuação, anônimos... Várias ações se desenham e ganham força, na tentativa de ver a vontade de tantos se concretizar em ações. A semente plantada pelo Manifesto por um Brasil Literário, escrito e tornado público pelo escritor Bartolomeu Campos de Queirós começa a dar frutos. Uma grande campanha está sendo articulada com apoio e recursos institucionais e não são poucas as pessoas dispostas a dar vez e voz aos anseios de tornar o Brasil um país no qual se valorize com todas as letras a leitura literária, aquela que segundo Bartolomeu, "promove em nós um desejo delicado de ver democratizada a razão. Passamos a escutar e compreender que o singular de cada um - homens e mulheres - é que determina sua forma de relação. Todo sujeito guarda ,bem dentro de si, um outro mundo possível. Pela leitura literária esse anseio ganha corpo... E tudo, a literatura realiza, de maneira instransferível, e segundo a experiência pessoal de cada leitor. Isto se faz claro quando diante de um texto nos confidenciamos: 'ele falou antes de mim' ou 'ele adivinhou o que eu queria dizer'."

Ainda temos um longo caminho a percorrer para que esse "tudo" que a literatura é capaz de realizar esteja ao alcance de todo cidadão brasileiro. E, com certeza, o caminho se tornaria bem mais curto com a ajuda do chamado quarto poder! Os meios de comunicação de massa são armas poderosas e especialmente a TV com sua enorme audiência poderia fazer muito pela literatura. Incluir o livro e a leitura em sua programação seja ela ficcional ou real, já seria um grande começo. Por enquanto são raríssimas, quando não ausentes, as cenas nos programas e nas novelas em que o livro aparece! Na ficção, sobram tentativas de imitar a realidade: personagens vivem dramas e cotidianos bem parecidos com o de muitos na vida real. E nunca ( ou quase nunca) lêem, frequentam bibliotecas, clubes de leitura, falam de livros, têm o rumo de suas vidas mudadas a partir do encontro com a literatura. Nunca presenteiam outras pessoas com livros. Na ficção das novelas e mesmo nos programas da Tv aberta, a literatura é praticamente ignorada. Crianças, jovens e adultos aparecem diante das câmeras nas mais diversas situações, influenciam comportamentos e hábitos ( não é à toa que o merchandising de produtos é cada vez mais presente na telinha) e infelizmente não incluem o mundo do livro e da literatura. Isso precisa mudar! É um pequeno passo que pode encurtar distâncias e fazer toda a diferença!
Alessandra Roscoe

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Carta do escritor Bartolomeu Campos de Queirós

A carta que transcrevo abaixo foi enviada pelo escritor Bartolomeu Campos de Queirós, autor do Manifesto por um Brasil Literário a todas as pessoas que assinaram o manifesto e que fazem parte da enorme corrente pró-literatura em que se transformou o Movimento por um Brasil Literário (www.brasilliterario.org.br). Que sirva de reflexão para todos e que nos alimente com a certeza de que quando milhares de pessoas sonham o mesmo sonho, ele começa a se realizar!

Belo Horizonte, 8 de dezembro de 2009


Alessandra,

Hoje, me vi pensando como seria viver em um país de leitores literários. Pode ser apenas um sonho, mas estaríamos em um lugar em que a tolerância seria melhor exercida. Praticar a tolerância é abrigar, com respeito, as divergências, atitude só viável quando estamos em liberdade. Desconfio que, com tolerância, conviver com as diferenças torna-se em encantamento. A escrita literária se configura quando o escritor rompe com o cotidiano da linguagem e deixa vir à tona toda sua diferença – e sem preconceitos. São antigas as questões que nos afligem: é o medo da morte, do abandono, da perda, do desencontro, da solidão, desejo de amar e ser amado. E, nas pausas estabelecidas entre essas nossas faltas, carregamos grande vocação para a felicidade. O texto literário não nasce desacompanhado destes incômodos que suportamos vida afora. Mas temos o desejo de tratá-los com a elegância que a dignidade da consciência nos confere.

A leitura literária, a mim me parece, promove em nós um desejo delicado de ver democratizada a razão. Passamos a escutar e compreender que o singular de cada um – homens e mulheres – é que determina sua forma de relação. Todo sujeito guarda bem dentro de si um outro mundo possível. Pela leitura literária esse anseio ganha corpo. É com esse universo secreto que a palavra literária quer travar a sua conversa. O texto literário nos chega sempre vestido de novas vestes para inaugurar este diálogo, e, ainda que sobre truncadas escolhas, também com muitas aberturas para diversas reflexões. E tudo a literatura realiza, de maneira intransferível, e segundo a experiência pessoal de cada leitor. Isto se faz claro quando diante de um texto nos confidenciamos: "ele falou antes de mim", ou "ele adivinhou o que eu queria dizer".

Alessandra, o texto literário não ignora a metáfora. Reconhece sua força e possibilidade de acolher as diferenças. As metáforas tanto velam o que o autor tem a dizer como revelam os leitores diante de si mesmo. Duas faces tem, pois, a palavra literária e são elas que permitem ao leitor uma escolha. No texto literário autor e leitor se somam e uma terceira obra, que jamais será editada, se manifesta. A literatura, por dar a voz ao leitor, concorre para a sua autonomia. Outorga-lhe o direito de escolher o seu próprio destino. Por ser assim, Alessandra, a leitura literária cria uma relação de delicadeza entre homens e mulheres.

Uma sociedade delicada luta pela igualdade dos direitos, repudia as injustiças, despreza os privilégios, rejeita a corrupção, confirma a liberdade como um direito que nascemos com ele. Para tanto, a literatura propõe novos discernimentos, opções mais críticas, alternativas criativas e confia no nosso poder de reinvenção. Pela leitura conferimos que a criatividade é inerente a todos nós. Pela leitura literária nos descobrimos capazes também de sonhar com outras realidades. Daí, compreender, com lucidez, que a metáfora, tão recorrente nos textos literários, é também uma figura política.

Quando pensamos, Alessandra, em um Brasil Literário é por reconhecer o poder da literatura e sua função sensibilizadora e alteradora. Mas é preciso tomar cuidados. Numa sociedade consumista e sedutora, muitos são leitores para consumo externo. Lêem para garantir o poder, fazem da leitura um objeto de sedução. É preciso pensar o Brasil Literário com aquele leitor capaz de abrir-se para que a palavra literária se torne encarnada e que passe primeiro pelo consumo interno para, só depois, tornar-se ação.

Alessandra, o Brasil Literário pode, em princípio, parecer uma utopia, mas por que não buscar realizá-la?

Com meu abraço, sempre, Bartolomeu




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terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Campanha Por mais livro e leitura na programação das Tvs

A Campanha tem recebido muitas mensagens de apoio e muitos são os que encaminham e-mails querendo saber como colaborar. Primeiro: falar da campanha, ajudar a divulgar, deixar comentários de apoio para que possam ser anexados ao documento que será entregue em todas as emissoras. Como o fim de ano é corrido pra muita gente, decidimos esperar a poeira das festas baixar. Enquanto isso, continuamos disparando e-mails para artistas, jornalistas, diretores e produtores de programas em várias emissoras e já podemos contabilizar apoios importantes. Aqueles que quiserem encaminhar depoimentos sobre a leitura em suas vidas, artigos, desenhos, charges podem fazê-lo por e-mail (alessandraroscoe@uol.com.br). Para ter sua assinatura no documento basta deixar um comentário em uma das postagens sobre a Campanha, iniciada aqui no blog no dia 18 de novembro. É com imensa felicidade que recebo diariamente, vindas de toda parte do país e até de alguns países vizinhos, as mensagens e sugestões sobre como fazer nossa mobilização crescer e atingir seu objetivo, o de fazer com que a TV garanta espaço em sua programação para o livro e a leitura. Hoje recebi a comunicação de que mais um capítulo da novela global das 20 horas foi encerrada com um depoimento verdadeiro, que teve a superação do analfabetismo como ponto de partida para uma mudança de vida! Esperamos que não só a TV Globo, mas todas as emissoras percebam o quanto podem fazer por um país leitor e com atitudes muito simples.

sábado, 12 de dezembro de 2009

Campanha Por mais livro e leitura na programação das Tvs abertas

As adesões continuam crescendo e coincidência ou não, pelo menos no horário nobre da Rede Globo, que tem enorme audiência,o prazer de ler começa a entrar em cena. Muito timidamente, mas, em Viver a Vida, novela das 20h da Globo, além de cenas com personagens lendo ou com livro nas mãos, o depoimento real que encerrou o capítulo do dia 11/12/2009 foi sobre a superação do analfabetismo e a descoberta do prazer de ler por uma senhora aos 52 anos de idade.
Transcrevo do portal da superação da novela, o resumo do depopimento de Liderci Machado que pode ser assistido na íntegra no endereço eletrônico: www.globo.com/viveravida/portal-da-superacao/


Foto portal da Superação www.globo.com/viveravida

"Liderci nasceu em uma família muita humilde. Morava com seus pais e mais nove irmãos em um ambiente de brigas constantes. A casa era de barro e tinha que ser refeita com as mãos a cada chuva que caía. Com cinco anos já ajudava a mãe nos trabalhos domésticos. Seu pai trabalhava na lavoura e ganhava pouco. Sua maior vontade era estudar, mas sua vida escolar durou só uma semana por vontade de sua mãe. Aos 13 anos, começou a trabalhar como babá e depois como diarista. Liderci teve três filhas, que criou com muito amor e sacrifício. Apesar das filhas bem criadas e encaminhadas, Liderci se sentia triste por ser analfabeta. Aos 52 anos, com a ajuda de um patrão, Liderci se alfabetizou e ganhou uma bolsa para estudar teatro. Liderci nunca mais pegou ônibus errado por não saber ler, já estrelou em dois monólogos e adora poder ler histórias para seus netos."

Viver a Vida deu um passo importante no sentido de dar mais espaço para o livro e a leitura, mas ainda estamos longe de utilizar com todo o seu potencial a força da mídia para ajudar a formar leitores. A esperança é que nas novelas, e nos outros programas, em todas as emissoras, o prazer de ler seja incentivado!

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Campanha Por mais livros... Repercussão Nacional!

Já saiu no blog do Pró-Leitura, no jornal O Norte de Minas, e agora no blog Os Elos do Conto da escritora Helô Bacichette.
Os Elos do Conto: Campanha por mais livros

A Rede de livrarias Cultura fará a divulgação em todas as suas lojas e no fim de semana a Campanha estará também nas páginas da Gazeta de Caxias, de Caxias do Sul!

Aqueles que quiserem escrever artigos ou enviar sugestões para o documento que está sendo elaborado pode mandar via comentários aqui no blog, no caso dos artigos podem ser encaminhados para o e-mail: alessandraroscoe@uol.com.br

Participem!

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Campanha Por mais livro... No blog do Pró-Leitura!

Está lá, no blog do Pró-Leitura! http://blogs.cultura.gov.br/pro-leitura/

Livro e leitura ganham TV como aliada

A indignação de ver desprezado um grande meio de incentivo à leitura como a TV fez com que a jornalista e escritora Alessandra Pontes Roscoe iniciasse uma campanha pública por mais livro e leitura na programação das TVs abertas. Responsável pelo blog: http://contoscantoseencantos.blogspot.com , ela já conseguiu mobilizar escritores, ilustradores, editores, livreiros, entidades ligadas ao livro, artistas e jornalistas, na tentativa de incluir a leitura também nas novelas e programas televisivos.

A ideia é aproveitar a enorme audiência da TV e seu grande poder de influenciar comportamentos para mostrar que o livro pode transformar realidades. Sugestões estão sendo recolhidas para a elaboração de um documento que será entregue à direção das emissoras e à Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e TV – ABERT. A campanha pede espaço na TV para que pessoas apareçam lendo, falando de livros, presenteando outras pessoas com livros. Nas novelas, fazer com que personagens incluam a literatura em seus repertórios de atividades.

Em um país não-leitor como o Brasil, a força da mídia pode ser utilizada em todo o seu potencial para também formar leitores e incentivar o hábito da leitura. Desde o dia 18 de novembro a campanha tenta buscar mais apoios e reunir sugestões para o documento. Quem quiser participar pode acessar o blog: http://contoscantoseencantos.blogspot.com e deixar comentários, sugestões e, claro, ajudar a divulgar a iniciativa. Alessandra Roscoe trabalhou por vários anos como repórter na TV, hoje é colaboradora de uma revista de circulação nacional e, com cinco livros publicados, dedica-se à Literatura Infanto-Juvenil. Recentemente participou do programa “Inclusão” da TV Senado, falando sobre a importância da leitura na primeira infância.

(Texto: MDM)


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Data: 7 de dezembro de 2009

Autor: marcosalexandremdm

Categorias: notícias

Tags: campanha pública, incentivo à leitura, Livro leitura literatura tv campanha

sábado, 5 de dezembro de 2009

Campanha Por mais livro e leitura na programação das TVs

A Campanha Por mais livros e leitura na programação das tvs era só uma ideia, uma vontade. Fiz aqui blog, no dia 18/11, uma postagem sobre a alegria de ver crianças e professores empenhados com o estudo da nossa língua, incentivados por um programa de televisão e falei também da tristeza em não ver as emissoras apostarem no livro e na leitura como potenciais transformadores da nossa realidade não-leitora. No mesmo dia, eu, a escritora e jornalista Dad Squarizi e a escritora Lucília Garcez, ambas, como eu, integrantes do grupo Casa de Autores, conversávamos sobre o enorme poder das novelas na influência de comportamentos. No dia seguinte, por conta da abertura da Feira do livro de Brasília, Dad publicou um belo artigo que transcrevo aqui com autorização dela.
E só para esclarecer, a campanha não se limita às novelas e nem mesmo à uma única emissora. O documento que estamos elaborando com apoio de várias pessoas e organizações ligadas ao livro, será entregue à diretoria da ABERT - Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e TV. O fato é que a mobilização surgiu depois de encontros com pessoas que trabalham na Rede Globo, especificamente na teledramaturgia.
Coincidência ou não, ontem, eu que, por falta de tempo, pouco assisto novela, vi trechos de Viver a vida, novela de Manoel Carlos, trama das 20h. Quase pulei de alegria ao ver um livro como objeto de cena durante um ensaio fotográfico na novela: a modelo segurava um livro e posava para as fotos como se estivesse lendo! A jornalista Cris Rogério da Revista Crescer, da Editora Abril e do site Ler Para Crescer contou que a cena não foi a única com livros na mesma novela. Disse que a personagem da atriz Christine Fernandes também apareceu em um dos capítulos com um livro na mão lendo uma história para o filho dormir. Que sirva de modelo. Acho mesmo que a tv pode fazer muito mais e espero que a campanha consiga sensibilizar aqueles que decidem o que entra e o que não entra em cena na tv.
Com a palavra,
Dad Squarizi:

De livros e novelas
Correio Braziliense, 19/11/2009

Dad Squarisi


“Um país se faz com homens e livros”, repetia Monteiro Lobato. E completava: “Os livros não mudam o mundo. Mudam os homens. Os homens é que mudam o mundo”. Ele acreditava no poder revolucionário da palavra escrita. Sonhava inundar o Brasil de textos variados. País atrasado, até então o Brasil importava livros. Lobato fundou a Editora Nacional. Imprimia as obras em papel inferior, de custo baixo. As tiragens grandes tornavam o produto acessível ao grande público.

Hoje gigantescas feiras se espalham Pindorama afora. A de Brasília começa amanhã.Mas somos país de não leitores. A Pesquisa Retaros da Leitura no Brasil, do Instituto Pró-Livro, chegou a conclusão alarmante: excluídos os livros didáticos, o brasileiro lê 1,3 livro por ano. Em países desenvolvidos, a média gira em torno de 10. Num ranking de 30 nações, figuramos em 27º lugar.

Razões para a distância? Uma delas: alfabetização tardia. Com o atraso, o país universalizou o acesso ao ensino fundamental depois da experiência eletrônica. Foi mau começo. Outra: o preço do livro. Cobrar R$ 30 ou R$ 40 por obra torna-a inacessível para boa parte da população. Forma-se, então, o círculo vicioso. Tiragem pequena encarece o produto. Preço alto afugenta o consumidor. Mais uma: a desvalorização da leitura pela sociedade.

Como mudar o cenário? Leitura é habilidade. Requer treino. Primeiro passo: dar acesso ao livro. O preço, no caso, conta. Mas não só. Precisa-se de mediadores. Professores e bibliotecários têm papel fundamental no processo. Eles recomendam, discutem, orientam o caminho a seguir. Daí a importância da qualificação desses profissionais. Segundo passo: a valorização do livro. Impõe-se mudar a cultura.

A tevê pode desempenhar papel-chave na virada. Valem dois exemplos extraídos de novelas. Um: em Laços de Família, Vera Fischer e Reinaldo Gianecchini vestiram roupão ao saírem do banheiro. No dia seguinte, esgotou-se o estoque de roupões no comércio. O outro: a Pinacoteca de São Paulo promoveu a exposição de Rodin. A receptividade foi tímida. Toni Ramos e Natália do vale passaram um capítulo entre as obras. Desde então, as filas de entrada dobraram esquinas. Em suma: a tevê modifica comportamentos. Que tal a LEITURA fazer parte da vida de personagens como atividade prazerosa?