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sexta-feira, 30 de março de 2018

Escadaria de Leituras - 100 livros para começar a ler com muito prazer e, desde o ventre, construir um caminho leitor pleno de alegria e descobertas!


Escadaria de leituras
Por: Alessandra Roscoe

Provocada por Beatriz Sanjuan, no curso: Arte, palavra e leitura na Primeira Infância, construí minha escadaria de leituras, degrau por degrau, misturando a minha própria história e memória de leituras afetivas com as histórias leitoras dos meus três filhos. São 100 livros incríveis que indico para ler antes de crescer e partilho com vocês, mas não sem confessar: sofri para deixar de fora tantos outros. Minha escada tem início antes mesmo do primeiro degrau, com os caminhos que me levaram aos primeiros livros. Dos acalantos (com os quais fui embalada desde sempre nas vozes da mãe, do pai dos avós, tios e primos mais velhos), às leituras que iniciei com os filhos ainda em meu ventre. Antes do primeiro degrau, as vozes, os cantos, as leituras partilhadas, os livros lidos em voz alta.


                                        No Primeiro degrau, livros amorosos e divertidos:

                    No segundo degrau, livros que já permitem alguma interação e o brincar de ler:

         No terceiro degrau, um convite à contemplação e às histórias que se constroem na partilha
         da leitura, com os livros de imagem, com as narrativas visuais:

                 No quarto degrau, leituras diversas, já com mais texto em prosa ou em verso:

   No quinto degrau, mais leituras divertidas se misturam com histórias e imagens que fazem pensar:

No sexto degrau, histórias cantadas, poesia, trava-línguas, limeriques. Uma viagem
pelas possibilidades e sonoridades da linguagem:

No sétimo degrau, livros poéticos e divertidos que mostram o quanto ler pode ser
divertido e inspirador!

No oitavo degrau, novas explorações sobre as diferentes linguagens e também em
narrativas que emocionam:

No nono degrau, um pouco sobre as possibilidades do livro objeto: projetos gráficos
diferenciados, histórias de lugares pouco conhecidos, ilustrações bordadas, a
palavra, o livro e a imaginação como protagonistas de algumas histórias:

No décimo degrau, livros que falam de sentimentos: medos, angústias  saudades, desejos, culpa, raiva...

No décimo primeiro degrau, um passeio por livros em outros idiomas e histórias de outros países:

No décimo segundo degrau, histórias de autores que adoramos e que passam de pai pra filho:

No décimo terceiro e último degrau, livros para ler em capítulos, um pouco todo dia e para que aqueles já são leitores autônomos possam ler sozinhos também:

Aqui a escada completa:

 Todos esses são livros deliciosos para ler com bebês e crianças ao longo dos primeiros anos de vida!

Agora a lista com títulos e autores de cada um dos 100 livros da minha escadaria! 
1 - Acalantos, de Bia Bedran, com ilustrações de Ziraldo.
2 - Caixinha de música, de Roseana Murray, ilustrações de Sérgio Magalhães e músicas de Guga Murray.
3 - Clave de lua, poemas e Leo Cunha, ilustrados por Eliardo França e musicados por André Abujamra, Renato Lemos e Luiz Macedo.
4 - Ciranda de anel e céu, Sylvia Orthof, ilustrações de Cláudia Scatamacchia.
5 - Contos da mamãe gansa de Perrault.
6 - Reinações de Narizinho, de Monteiro Lobato.
7 - Pinóquio, de Carlo Collodi numa releitura em versos de Lecticia Dansa e ilustrações esculpidas em madeira por Salmo Dansa.
8 - Contos Maravilhosos Infantis e Domésticos de Jacob e Wilhelm Grimm, com ilustrações de J. Borges.
Degrau 1:
9 - Coleção Sim, Bia Villela - Era uma vez um gato xadrez.
10 - O pequeno Livro, Marcelo Cipis.
11- Coleção O que é? O que é? , Guido Van Genechten É um ratinho?
12 - Classificados e nem tanto, de marina Colassanti com xilogravuras de Rubem Grilo.
13 - Eu vi! de Fernando Vilela.
14 - Adivinha quanto eu te amo, de Sam McBratney com ilustrações de Anita Jeram.
15 - Pedro Carteiro, baseado nas histórias originais de Beatrix Potter.
16- Gildo, de Silvana Rando.
Degrau 2:
17 - O dariz, de Olivier Douzou.
18 - Quem quer brincar comigo? de Tino Freitas com ilustrações de Ivan Zigg.
19 - Aperte aqui, de Hervé Tullet.
20 - Pato! Coelho! de Amy Krouse Rosenthal com ilustrações de Tom Lichtenheld.
21 - Tinha uma velhinha que engoliu uma mosca, de Jeremy Holmes.
22 - Uma lagarta muito comilona, de Eric Carle.
23 - Bruxa, bruxa venha à minha festa, de Arden Druce com ilustrações de Pat Ludlow.
Degrau 3:
24 - Ops, de Marilda Castanha.
25 - Selvagem, de Roger Mello.
26 - Vento, de Elma
27 - Flop, a história de um peixinho japonês na China, de Laurent Cardon.
28 - Onda, de Suzy Lee.
29 - A bruxa e o Espantalho, de Gabriel Pacheco.
30 - Telefone sem fio, de Ilan Brenman e Renato Moriconi.
Degrau 4:
31 - Psiquê, de Ângela-Lago.
32 - Ou isto ou aquilo, Cecília Meireles com ilustrações de Odilon Moraes.
33 - Asas, Maya Hanosch com ilustrações de Ofra Amit.
34 - Margarida, de André Neves.
35 - Chapeuzinho Amarelo, Chico Buarque com ilustrações de Ziraldo.
36 - Uxa ora fada, ora bruxa de Sylvia Orthof com ilustrações de Gê Orthof.
37 - O Reizinho Mandão, de Ruth Rocha com ilustrações de Walter Ono.
38 - Flicts, de Ziraldo.
39 - A árvore generosa, de Shel Silverstein.
Degrau 5:
40 - Roupa de brincar, de Eliandro Rocha com ilustrações de Elma.
41 - A princesinha medrosa, de Odilon Moraes.
42 - Só um minutinho de Ivan Zigg.
43 - A terra do Lá, de João Anzanello Carrascoza com ilustrações de Ionit Zilberman.
44 - E os pintinhos? Piu! Angela Leite de Souza
45 - Quem soltou o Pum? Blandina Franco e José Carlos Lollo.
46- O homem que amava caixas, de Stephen Michael King.
47 - Tom, de André Neves.
Degrau 6:
48 - Dona Baratinha e outras histórias, Francisco Gregório Filho com ilustrações de Martha Werneck.
49 - A sopa supimpa - Estevão Marques, Marina Pittier e Fê Sztok com ilustrações de Suppa.
50 - Pé de poesia, de Wilson Pereira com ilustrações de Marilda Castanha.
51 - O jogo da Fantasia, Elias José com ilustrações de Cláudia Scatamacchia.
52 - Rima ou Combina? Marta Lagarta com ilustrações de Suppa.
53 - Temqueliques Limeriques do poderoso e perigoso Temque, de Tatiana Belinky com ilustrações de Suppa.
54 - Uma letra puxa a outra, José Paulo Paes com ilustrações de Kiko Farkas.
Degrau 7: 
55 - É um livro, Lane Smith.
56 - Exercícios de ser criança, Manoel de Barros com ilustrações bordadas pela família Dumont.
57 - O menino que chovia de Cláudio Thebas com ilustrações de Ivan Zigg.
58 - Cadê o juízo do menino? Tino Freitas com ilustrações de Mariana Massarani.
59 - História em 3 atos de Bartolomeu Campos de Queirós com ilustrações de André Neves.
60 - Mania de explicação de Adriana Falcão com ilustrações de Mariana Massarani.
61 - O livro negro das cores de Menena Cottin com ilustrações de Rosana Faría.
Degrau 8:
62 - Menina bonita do laço de fita, de Ana Maria Machado com ilustrações de Claudius.
63 - Uma Andorinha só, de Luciano Pontes.
64 - Zoo, de João Guimarães Rosa com ilustrações de Roger Mello.
65- A Festa no céu, um conto do nosso folclore, Angela Lago.
66 - Pedro e Tina, um amizade muito especial, Stephen Michael King.
67 - Chão de peixes de Lúcia Hiratsuka.
68 - Mil e uma estrelas de Marilda Castanha.
Degrau 9 :
69 - A moça Tecelã, marina Colassanti com ilustrações bordadas da família Dumont.
70 -  O segredo da Chuva, Daniel Munduruku com ilustrações de Marilda Castanha.
71 - Fonchito e a Lua de Mario Vargas Llosa com ilustrações de marta Chicote Juiz.
72 - Os Fantásticos livros voadores de Modesto Máximo, de William Joyce.
73 - A grande fábrica de palavras, de Agnes de Lestrade com ilustrações de Valéria Docampo.
74 - Introduzindo Olavo Holofote de Leigh Hodgkinson.
75-  A grande viagem da senhorita Prudência de Charlotte Gastaut.
Degrau 10: 
76 - Vai embora grande monstro verde, de Ed Emberley.
77 - Fica Comigo, de Patricia de Arias com ilustrações de Cris Eich.
78 -  O pato, a morte e a tulipa de Wolf Elbruch.
79 - A raiva, de Blandina Franco e José Carlos Lollo.
80 - Mamãe Zangada, de Jutta Bauer.
81 - O coração e a garrafa, de Oliver Jeffers.
82 - A parte que falta, de Shel Silverstein.
83 - Onde vivem os monstros, de Maurice Sendak.
Degrau 11:
84 - A lenda de Pedro e Inês, de Margarida Almeida com ilustrações de Margarida Lisboa Pina.
85 - The Tale of Peter Rabbit, de Beatrix Potter.
86 - Mamá fue pequeña antes de ser mayor, de Valérie Larrondo com ilustrações de Caludine Desmarteu.
87 -Cosas con plumas, de Jorge Luján com ilustrações de Mandana Sadat.
88 - The cat in the hat, de Dr. Seuss.
89 - el otro Pablo, de Mandana Sadat.
Degrau 12:
90 - Os bichos que tive ( memórias zoológicas), de Sylvia Orthof com ilustrações de Gê Orthof.
91 - Contos de enganar a morte, de Ricardo Azevedo.
92 - O mist´rio do Coelho Pensante, de Clarice Lispector com ilustrções de Mariana Massarani.
93 - A fada que tinha ideias, de Fernanda Lopés de Almeida com ilustrações de Edú.
94 - O gigante egoísta, de Oscar Wilde com ilustrações de márcia Széliga.
Degrau 13:
95 - Pippi Meialonga de Astrid Lindgren com ilustrações de Lauren Child.
96 - Alice no País das Maravilhas/ Alice no País do espelho, de Lewis Carrol com ilustrações de Lila Figueredo.
97 - a vaca Voadora, de Edy Lima com ilustrações de Michelle Iacocca.
98 - O pequeno Nicolau, de Sempé com ilustrações de Goscinny.
99 - A bolsa amarela, de Lygia Bojunga com ilustrações de Marie Louise Nery.
100 - Confissões de um vira-lata, de Orígenes Lessa com ilustrações de Orlando Pedroso.

Boas leituras!




domingo, 11 de março de 2012

Nova turma da oficina Aletramento fraterno, a leitura literária como vínculo afetivo desde a gestação.

A foto é de quando minha caçula ainda morava na barriga e foi quando foi apresentada aos livros, aliás, muito antes da barriga ser notada, eu já lia diariamente para ela. Bom, algum tempo se passou e agora, atendendo aos inúmeros pedidos, decidi montar nova oficina do Aletramento fraterno. Com início previsto para maio, a oficina terá turma única e com vagas limitadas. Peço aos interessados que enviem e-mail para alessandraroscoe@uol.com.br. Os encontros serão semanais.

quinta-feira, 1 de março de 2012

Aletramento Frateno e Uni duni ler no site literário Musa Rara

O site Musa Rara, dedicado à literatura publicou matéria e artigos meus sobre os projetos do Aletramento Fraterno e sobre a Leitura para bebês, quem quiser saber mais pode conferir tudo por lá Musa Rara.

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Leiturinhas

Luiza não foi a primeira e única aqui em casa a experimentar as leituras desde o ventre. Bia inaugurou a prática e também tomou gosto pelos livros, os de brincar como o das fotos abaixo que encontrei remexendo gavetas, os de ouvri e ler também!
aqui Bia estava com pouco mais de quatro meses e passava horas sentadinha na minha cadeira de amamentar, lendo e descobrindo histórias...

Como ainda não tinha a firmeza para segurar o corpo, literalmente despencava sobre os livros!

E balbuciava em "Bebebês" histórias que eu adoraria poder traduzir!

terça-feira, 3 de maio de 2011

Luiza e suas mediações...

Não basta ler...

Tem que mediar, encantar outros leitores! Aqui a plateia qualificada era a Flora e sua mãe!

Mediação com direito à encenação e...

...participação do público!

Luiza e suas muitas leituras

Não é novidade pra ninguém que esta menina adora livros e histórias. A paixão começou ainda no ventre, Luiza sempre ouviu leituras em voz alta, desde os primeiros meses, ainda na barriga da mamãe. Leituras inicialmente feitas por mim, depois pelo pai e pelos irmãos mais velhos...
Não teve jeito, tomou gosto e adora folhear a fantasia nos livros todos da casa e onde os encontra, trata de se entregar a eles!
E lê com todos os seus sentidos...

... e viaja em cada página! Uma leitora voraz!

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Muitas leituras!

Tenho flagrado belos momentos de leitura em casa; Bia, de ouvinte e co-autora de minhas histórias passou há algum tempo a experimentar também as leituras partilhadas. Luiza usufrui destes momentos de puro afeto desde a barriga. Bia e Felipe disputavam no par ou ímpar, todos os dias, durante os nove meses de minha gravidez, quem seria o responsável pela história da barriga. O escolhido selecionava livros, inventava narrativas e muitas vezes, terminávamos a sessão cantando e rindo juntos, com Orlando também por perto. Família reunida em torno da palavra: lida, ouvida, falada, cantada e calada! 

Luiza desembarcou na vida plena de histórias e agora escolhe toda noite, além do livro que deseja "ler", o mediador do dia. Neste flagra, já na cama, antes de dormir, Bia foi a escolhida para mediar a história de ninar: The very Hunter Caterpilliar, de Eric Carle, na edição comemorativa do 40º aniversário da obra, um Pop- up em inglês, quando ainda não havia a tradução. No Brasil o livro chegou ano passado com o título A lagartinha muito comilona, pela Kalandraca da Espanha, representada aqui pela editora Callis. 

 As duas contaram e vivenciaram com a festa dos sentidos todos as aventuras da lagartinha gulosa e faminta que sai devorando tudo o que encontra pela frente! A brincadeira de tranformar os dedos em lagarta e percorrer o caminho da personagem do livro durou quase meia hora!

 Por vezes, a pequena dispensa a mediação e se entrega solitária ao diálogo com os livros. Em: Telefone sem fio de Ilam Brenman, com ilustrações de Renato Moricone, da Companhia das Letrinhas, mais gratificante que vê-la entregue às páginas do livrão, foi ouvir a história que ela, mesmo de chupeta na boca lia em voz alta: "Palhaço segredo, rei. Rei segredo ferro ( uma armadura). Ferro segredo mar ( um escafandrista antigo) e assim por diante! Delícia foi ver que em uma das páginas diante da ilustração de uma senhora muito fina e arrumada, Luiza disparou: turista segredo perua e terminou sua leitura revelando o grande segredo da história na sua interpretação: o segredo é...
... o segredo é... Claro que eu não vou contar e estragar a surpresa do livro, mas dentro do clima todo Luiza nos revelou não só uma bela percepção da história, como também um segredo muito especial: o de que ama os livros e a leitura!

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Quando a leitura vira hábito diário - o livro de ninar!

Os olhos entregam o ânimo: janelas quase se fechando para o real, para tempo de estar desperta e nas mãos um LIVRO, pequenino, do tamanho de segurar sozinha e pronto para fazer a imaginação embarcar junto para o espaço de sonhar... Para Luiza, que ouve e  "lê" histórias desde seu universo amniótico, a leitura de ninar já é hábito diário

 Nesta noite em meio aos travesseiros e edredons, a pequena escolheu o livro de uma caixinha com clássicos da disney que foi da irmã mais velha e leu em voz alta, primeiro só pra ela depois pro resto dos curiosos que se encantaram com a cena: pais e irmãos babões

Fez mais uma leitura partilhada apontando no exemplar de Dumbo a palavra escrita e ainda com pausas e viradas de livro para a plateia com a intenção de partilhar também as ilustrações. Ela ainda solicita nossas leituras, nossas mediações, mas já não depende de ninguém mais para ler e se encantar com o mundo dos livros, da literatura!

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Aletramento Fraterno - Ler para o ventre, um ato de afeto!



Sou jornalista, escritora e mãe de três filhos: Beatriz (12 anos), Felipe ( 8 anos) e Luiza (2 anos). Com os três experimentei a alegria imensa de compartilhar o amor pelos livros. Beatriz foi quem me fisgou da escrita realista e factual, exigida pelo jornalismo, para a Literatura Infantil, que hoje me permite inventar mundos e personagens. Com o Felipe o encontro com as histórias também foi natural, ele é um apaixonado por livros, por teatro, fantoches, e fantasias. Mas Luiza, que chegou no mais delicioso susto que a vida me pregou, foi a que mais cedo dividiu comigo momentos literários. Já na barriga, assim que soube que estava grávida ( e vivendo um outro tempo de florescimentos, desengavetando afetos e práticas de uma maternagem bem mais consciente e madura, pois engravidei às vésperas de completar 40 anos de idade), comecei a ler para a “barriga”. Ainda nem sabia se seria um menino ou uma menina, mas estava certa de que naqueles momentos diários com os livros eu e o bebê construíamos uma relação mais forte e de certa forma encantada. Aos poucos os irmãos mais velhos e o meu marido se integraram também ao ritual de ler e contar histórias para a “barriga”.
Não são poucos os estudos científicos que revelam o quanto os bebês no útero já são capazes de perceber afetos e interagir. Mais ainda: o quanto é fundamental incentivar todo e qualquer laço afetivo na gestação e na primeira infância. Muitos adultos insistem em subestimar a capacidade intelectual das crianças e dos bebês. De minhas experimentações artísticas e estéticas com meus filhos – que sempre ouviram músicas, leituras e histórias narradas durante a vida intrauterina e depois apreciaram espetáculos de teatro, música e poesia para bebês – surgiu a vontade de escrever para bebês. Não livrinhos, cheios de diminutivos, de frases sem sentido para estampar em pano ou plástico e declarar: “São livros-brinquedo! Para as crianças de 0 a 3 anos de idade estão ótimos, eles não sabem mesmo ler!” Ouvi muita coisa parecida quando falava que queria me dedicar a escrever para os mais miúdos. E minha vontade se transformou em quase obsessão. Comecei a ler, pesquisar, comprar livros para bebês editados em outros países, conversar com pessoas que trabalham focadas na primeira infância, com psicólogos, pediatras, neurologistas, pais, mães, avós e avôs e com as crianças também. Uma das coisas mais marcantes durante meu período de estudo sobre o assunto foi a quase unanimidade de gestantes reclamando certa ausência dos maridos no envolvimento com o bebê durante a gravidez. Nas pesquisas, a grande maioria dos pais declara só sentir a paternidade a partir do nascimento. Esse, foi outro dado que me empurrou a pensar em textos poéticos e interativos para que os pais, sejam ou não de primeira viagem, os irmãos, parentes e cuidadores possam também tecer laços de carinho com o bebê ainda no útero e por meio da leitura literária. Nos textos em que venho trabalhando, tudo parte das sensações, de estímulos, como um sopro, que funciona de diferentes jeitos para a barriga ou para o recém-nascido, mas não deixa de experimentar o tato, a delícia de soprar e ser soprado. A ideia é juntar poesia escrita, com poesia visual, e, mais que isso, poesia sensorial para permitir o tempo todo um encontro de emoções, onde os cinco sentidos que nos fazem perceber o mundo estejam conectados de forma a tecer uma teia afetiva que certamente trará benefícios para todos.
Os bebês lêem o mundo a seu modo, primeiro pela boca, depois, com a ajuda dos outros sentidos, vão construindo um repertório de possibilidades e potencialidades. O quanto antes forem estimulados e incentivados a fazer suas próprias descobertas, mais aptos e seguros vão-se tornar. A literatura pode ser uma ferramenta maravilhosa em todo o processo de desenvolvimento e é ainda uma inesgotável fonte de prazer. Livro para bebês não tem que ser apenas livro para brincar, levar para o banho ou montar e desmontar. Pode ser tudo isso também, mas tem que ser, acima de qualquer outra coisa, literário no sentido mais poético da palavra!
Algumas das histórias que escrevo para bebês são para serem lidas para a “barriga” e não apenas pela mãe que já entende muito bem o que é ter dois corações pulsando juntos ,ligados por um cordão umbilical, que no dia do parto se romperá e por outro laço, muito mais forte, que nunca será cortado! São histórias para serem “sentidas”, sopradas, cantadas, tateadas, degustadas, lidas e ouvidas quantas vezes se desejar compartilhar com o bebê, dentro e fora do útero, a emoção que sentimos porque ele já está lá!

sábado, 20 de novembro de 2010

A chupeta

Um comercial premiado que fala muito sobre a capacidade de entendimento dos bebês! Eu que venho insistindo tanto nisso por conta do meu projeto do Aletramento terno, de incentivo ao prazer da literatura desde o ventre e não só pelas mães, mas por todos os que desejem criar laços afetivos com os bebês e as crianças, sinto que estas imagens falam tudo!


sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Infância e Paz - Semana de Valorização da Primeira Infância no Senado Federal

Muitos encontros, uma programação maravilhosa, intensa e totalmente gratuita! Assim foi o Seminário Infância e Paz que norteou a III Semana de Valorização da Primeira Infância e Cultura da Paz, realizada de 16 a 19 de novembro no Senado Federal. Com o tema: A importância dos primeiros laços entre o bebê e os cuidadores, o encontro reuniu profissionais do Brasil, da França e do Reino Unido nas áreas de saúde, educação, gente ligada à arte à literatura e ainda os parlamentares para debater e trocar experiências. Além de audiências públicas, mesas temáticas e debates, a programação ofereceu cursos e oficinas. Foram momentos muito ricos para todos os que participaram. O encontro acontece graças ao empenho pessoal de Lisle Lucena que se dedica durante todo o ano a organizar e viabilizar a Semana de Valorização da Primeira Infância.

                                           No meio de tanta discussão e tantos trabalhos magníficos, os encontros e as parcerias que surgem despretensiosas e repletas de possibilidades!

Assim, impactados por uma causa única, juntamos força para fazer com que o Pacto Nacional pela Primeira Infância não seja apenas de uns, mas de 195 milhões de brasileiros. Na foto: João Augusto Figueró, do Instituto Zero a Seis, a psicóloga Teresa Raquel Santos ( agachada), Gian Calvi e Lucíla Martinez, do Crianças Criativas, Carla ( Zero a Seis), a escritora Renata Bomfim e eu.
                                          Com os queridíssimos Gian Calvi e Lucíla Martinez, comandantes de belíssimas iniciativas pelo país em prol da primeira infância e da Família! Partilhamos de muitas paixões, como a Literatura Infantil e inúmeras convicções, como a de que é preciso fazer sonhar para poder realizar sonhos!

                              Durante minha oficina sobre a importância da leitura para bebês e do "Aletramento" literário como formador de laços afetivos. Uma plateia atenta, empolgada e participativa com a qual pude partilhar algumas das minhas experiências pessoais na formação de leitores!
                   Falamos das trocas sensoriais e pude com fotos e videos demonstrar alguns dos resultados práticos das leituras para o ventre que fiz desde que engravidei de minha primogênita, hoje com 12 anos. O livro gigante do Jardim Encantado - obra minha com ilustrações de Beatriz Roscoe, publicada pela Franco Editora -  fez sucesso por lá. Nele, cada página trabalha um dos 5 sentidos, o material foi idealizado e confeccionado pela educadora Claudia Weber e realmente gratifica todos os nossos sentidos!

                                   Deixei o miniauditório do Interlegis na noite do dia 18 de novembro plena e realizada com as tantas trocas que aconteceram durante a oficina. Outras virão, podem ter certeza. A todos que participaram, meu agradecimento!

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Brincar de Ler!

Quem disse que livro não é diversão! É e das mais repletas de possibilidades. Aqui em casa, com minha mania de livro, todos já embarcaram nas minhas viagens e se divertem não só com as histórias, mas com tudo o que cerca nossas estantes! Desde que mergulhei pra valer na Literatura Infantil descobrir livros encantadores em sebos, livrarias ou mesmo em nossas coleçoes particulares ( aqui cada um tem a sua), passou a ser tarefa pra lá de disputada na família. Sempre que alguém descobre uma novidade trata de torná-la pública e o tal livro vira objeto do desejo. Assim foi com o pop-up maravilhoso de Alice no País das Maravilhas e com os Livrões do IAB de cantigas e parlendas. A meninada adora e os graúdos também!
Tão bom quando a leitura entra na pauta da casa! Aqui todos brincamos de ler e levamos esta brincadeira muito a sério. Não só lemos e discutimos nossas leituras, mas achamos no meio delas muita, muita diversão! É por isso que sempre digo que a leitura não tem idade, só vontade! Nunca é cedo demais ou tarde demais para descobrir as maravilhas que se escondem nas páginas de um livro e sempre é tempo de experimentar a palavra!

terça-feira, 24 de agosto de 2010

Ler, o quanto antes melhor!

O Instituto Pro- Livro, acertou em cheio: o livro é mesmo uma grande viagem...




E viagem que deve começar o quanto antes, de preferência, na fase embrionária da vida! Contar histórias para a barriga, pra mim, foi sempre um hábito e acho que por isso, meus três filhos são apaixonados por livros e por tudo o que envolve o mundo da literatura. Dois deles são meus parceiros e a caçula por enquanto ainda é só inspiração, pois está com apenas um ano, apesar de ser leitora antiga!

Na Bienal, o espaço que mais me encantou foi o da Biblioteca do Bebê, sempre que eu tinha uma folguinha na agenda, passava por lá e fiquei babando todas as vezes, olhando quietinha o mergulho dos mais miúdos. O espaço montado pelo Instituto Alfa e Beto, com apoio da Unesco e da Imprensa Nacional ficou lindo e aconchegante. Eu fiz algumas resenhas para o Guia dos 600 livros para ler antes de entrar na escola, lançado pelo IAB e fico muito feliz de ver que minha ideia sobre o Aletramento Materno, Paterno, Fraterno... Ou seja, sobre o incentivo à leitura desde antes do berço começa a se propagar!

Os bebês curtem cada instante...
Entram pra valer no encanto dos livros e pra quem acha que leitura para bebês é um tatibitati sem fim, ou um simples abandonar de livros nas mãos e bocas dos pequenos, um recado: não é não! Leitura para o bebê é leitura compartilhada, a mãe, o pai, os irmãos, avós e mediadores precisam dividir este prazer com a meninada. Só assim a leitura literária acontece pra valer!

E para nós escritores, nada é mais gratificante do que encontrar num mundo de livros como é a Bienal de SP um leitor, como o Gabriel aí da foto, mergulhado numa de nossas histórias. O Bilé prendeu a atenção do garoto, que ainda não está alfebetizado e outros dois livros meus estavam na mão da Tia Sandra, já na fila de espera. Ganhei o dia, claro!

quinta-feira, 22 de julho de 2010

De fralda e livro na mão! Desta vez, leitura devidamente documentada!

Muito se fala hoje em dia na importância de incentivar o amor pelos livros desde os primeiros dias de vida. Nunca duvidei dos benefícios que as leituras em voz alta para bebês podem trazer em favor de futuros leitores. Tenho três filhos e com os três experimentei momentos muito intensos junto aos livros e mesmo antes do berço: quando ainda estavam mergulhados no aconchego do universo amniótico. Os dois mais velhos se tornaram parceiros na literatura e Luiza, a caçula, por enquanto tem sido inspiração - o livro-cd História pra boi casar, com uma narrativa poética em forma de cantiga foi feito pra ela, numa noite em que se recusava a se entregar ao sono, já numa quase madrugada. Juntando memórias, retalhos de cantigas e histórias que embalaram minha própria infância fiz a música, que depois cresceu pra virar história e foi buscar na oralidade e na Cultura Popular outras lembranças e muitas referências. E assim como na barriga, os pequenos ficam aconchegados, é fundamental criar, na hora da leitura um ambiente aconchegante em que o afeto fale mais alto. Minhas leituras em voz alta para a Luiza começaram assim que eu soube que estava grávida. Li de tudo para ela, mesmo os livros que eu estava lendo durante os nove meses de co-habitação, de Guimarães Rosa a Bartolomeu Campos de Queirós, passando por Ítalo Calvino, Muriel Barbery, Clarice Lispector e claro La Fontaine, Lobato, Cecília Meireles e tantos outros. Muita gente se assusta quando conto que fazia em voz alta as minhas leituras - não apenas os livros de Literatura Infantil - para a "barriga" e, tenho certeza hoje, que esses nossos momentos plantaram em Luiza a semente da paixão pelos livros. Os irmãos mais velhos disputavam diariamente ,durante toda a minha gravidez, qual dos dois contaria a história para o bebê, era um ritual repleto de carinho! Luiza nasceu em meio às histórias, frequentando feiras literárias e brincando de ler. Em casa, livros por toda a parte, brinquedos também, mas o curioso é que mesmo com pouco mais de um ano de idade, Luiza pede para lermos para ela, escolhe os livros e muitas vezes coloca a família toda sentada para "ler" para nós. Não me lembro de atitude semelhante com os brinquedos. Semana passada, contei aqui o episódio da primeira mediação de leitura que ela fez para os brinquedos no berço e lamentei não ter registrado o momento, mas não precisei esperar muito. Ela tem verdadeira paixão por um livro de pop-up da Claudia Bielinsky, publicado pela Companhia das letrinhas: Peixinhos, Peixinhos. Um livro bem divertido, repleto de cores e que apresenta peixes de tudo que é jeito. Na capa, peixinhos que nadam com o toque dos dedos, uma diversão! Já havia notado que o lugar preferido de Luiza para ler este livro é a cozinha da casa, tanto que acabei deixando o livro na estante de lá - sim! Até na cozinha temos livros, e agora não só os de receitas! . Hoje pela manhã percebi o motivo: Luiza sempre faz a sua leitura para o peixinho do Felipe, que mora num aquário na cozinha!
Dá boas risadas descobrindo  os tantos peixes que moram no livro e...

Mostra as ilustrações para o felizardo da hora: Rafa, o peixe do Lipe. Assim mesmo, sentadinha no chão, só de fralda, Luiza faz uma de suas mediações preferidas. Preciso dizer mais alguma coisa?

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Em plena era da tecnologia descartável, não filmei, ou fotografei um momento de rara beleza!

Parece brincadeira, em tempos de câmeras ultramodernas em celulares, I-pods e até em canetas, ao alcance de todos, perdi a chance de eternizar um momento maravilhoso em imagem e, principalmente, em som. Luiza, que aprendeu a compartilhar a paixão pela literatura, quando ainda estava na barriga, graças às leituras minhas e dos irmãos mais velhos, mais que abraçar livros e fazer suas próprias leituras de páginas, afetos e mundos, agora resolveu multiplicar seu encantamento. A pequena, hoje com um ano e sete meses, começa agora a falar as primeiras palavras mas já é uma veterana no mundo dos livros, escolhe os que quer "ler" e chega a ser autoritária quando nos exige a leitura compartilhada. Adora poesia e fica toda prosa quando percebe que o livro que escolheu na estante para ser lido para ela, prende a atenção de outros em casa! Mas dia desses não quis saber só de ouvir as nossas leituras para ela, sentou no berço, colocou as bonecas e uns ursos sentadinhos, pegou uma edição bem velha do Patinho Feio e leu em voz alta, passando as páginas e mostrando as ilustrações para os brinquedos. Fez caras, bocas e entonações dignas de contadora de histórias e eu, orgulhosa e louca por não ter uma filmadora por perto, nem um celular, não quis perder nenhum segundo daquela maravilha que presenciava, quietinha, em êxtase, fiquei, ouvindo o balbuciar daquele Patinho Feio em "Bebebês" para bonecas e ursos. Foi a primeira mediação de leitura da Luiza! Tenho certeza de que muitas outras virão. Agora o celular fica sempre no quarto dela! Para os casos de emergência!

terça-feira, 25 de agosto de 2009

"Aletramento" Fraterno

A palavra para mim é alimento. Escrever, mais que um ofício, é uma necessidade e não daquelas que chegam como obrigação. Ao contrário, vem com um prazer que não sei se conseguiria traduzir assim só por dizer. A palavra escrita sempre foi o meu refúgio, o meu porto seguro e, de certa forma, o meu ar! Tá bom, sei que sou também faladeira, "inventadeira" de histórias como bem me definiu a Bia! Adoro ouvir histórias, adoro contar e cantar histórias, adoro sentir histórias - agora estou aprendendo até a adormecer histórias. Algumas chegam sem cerimônia no meio da madrugada, querendo ganhar forma, vida e, talvez porque eu precise dormir mais que qualquer outra coisa, arrisco adormecer histórias. Faço com que adormeçam ( as histórias, eu até consigo, já a Luiza... Ela ainda mama e mama muito de madrugada!) para que despertem em outro momento. E foi numa das madrugadas insones, ao perceber Luiza desmaiada, plena e muito bem alimentada depois de amamentá-la que o termo: "aletramento materno" fez mais sentido para mim! Tão necessário em nossas vidas quanto o ar e o alimento, é o aconchego da palavra, seja dita, calada, cantada, escrita, desenhada, versada. Percebi ali, na penumbra do quarto, que ler histórias não deixa de ser uma outra forma de abraçar, de acarinhar, de acalantar. Luiza, bem antes de se saber Luiza, de sabermos que era Luiza já ouvia histórias. Histórias que eu e os irmãos líamos para a barriga. Hoje temos certeza que ela percebeu cada uma delas. O encantamento com que ela se entrega aos livros é surpreendente!

Nos primeiros dias em casa, Felipe fez questão de fazer a "mediação", cantava, fazia graça, mas sempre acalmava a caçulinha com um bom e colorido livro.
Ela tomou gosto, claro! Como é que não tomaria!

Faz suas próprias "leituras" e até reclama quando a história acaba.


Tudo bem, há um mundo e uma vida inteira para ler.Sim! A vida e o mundo são um grande livro! A gente tem que saber ler todas as coisas: a natureza, os sentimentos, o céu e os jardins, as vozes e os silêncios! O tempo passa e em nossa caixinha de deslumbramentos vamos juntando história. Os bebês e as crianças têm poesia nos olhos, enxergam tudo com a métrica e a rima que a vida deveria ter sempre. Crescem e muitas vezes perdem a ótica da maravilha, da fantasia. Mas alguns, na literatura aprendem a ressignificar tudo, a encontrar as lentes que devolvem a visão encantada de antes.
Sempre me perguntam sobre a importância da leitura, sobre formas de incentivo ao letramento e sobre a formação de leitores. Agora sei bem o que dizer: um bebê diante do seio, mesmo ainda ligado à mãe pelo cordão umbelical, abre a boquinha e sabe o que fazer, consegue nos primeiros segundos de vida sugar e se alimentar. Quando se entende a literatura como prazer também é assim e a grande vantagem do "aletramento" é que ele não precisa ser só materno!