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quarta-feira, 9 de abril de 2014

O sonho sempre maior que os sonhadores

Há duas semanas tenho estado fora do ar por conta de inúmeras viagens e compromissos de trabalho e também pessoais. Semana passada estive em cinco cidades em quatro dias, no interior de São Paulo, pelo lindo Projeto Sesi Literatura Viva. Cheguei em Campinas e conversei com leitores também em Sorocaba, Votorantim, Tatuí e Itapetininga! Uma maratona muito enriquecedora e proveitosa em todos os sentidos. Em cada Sesi, uma experiência diferente! Na terça-feira, dia 01 de abril, como estava fora da cidade, tive que cancelar o encontro semanal do Clube de leitores Uni duni Ler, sagrado todas as terças na creche Assefe, desde 2010. Avisei antes que estaria ausente. De volta a Brasília, mais encontros com os leitores daqui e por conta da missa de um ano de morte da minha mãe, celebrada ontem, dia 08/04, também uma terça-feira, outro encontro do Clube teve que ser adiado. Hoje, me chega pelo email o maior presente que poderia receber: fotos de uma das sócias do Uni duni Ler que não deixou nossos leitores sem a ciranda semanal, nem a semana passada, nem esta. Yasmin, que tem apenas cinco anos e faz parte do Uni duni Ler há mais de um ano, colocou vários de seus livros pessoais dentro de uma sacola, fez fichas de empréstimos para todos eles e não deixou ninguém sem livro! Fiquei muito emocionada e feliz em saber que a semente que plantei já deu frutos e frutos tão saborosos. Agora posso cumprir meus compromissos literários fora de Brasília, com a tranquilidade de saber que os sócios do Uni duni Ler não ficarão sem livros e leituras!



                                                             Fotos Alberto Silva

Como não me sentir realizada com este sonho que já expandiu todos os limites do imaginável, sendo sonhado assim, de um jeito tão pleno e espontâneo? Yasmin e o "seu" Clube de Leitura me fez ganhar o dia!

domingo, 3 de abril de 2011

Leituras

Num domingo aconchegante em casa com amigos queridos, um sol inspirador, barulho de crianças, conversas e lembranças deparei com uma frase estarrecedora, de novo do Bartolomeu Campos de Queirós, no livro Flora. Não vou citar exatamente, mas tratarei de esclarecer o contexto: estávamos falando sobre filhos, maternidade e a força que tem a prole em nossas vidas. Como passamos a olhar tudo diferente, com um certo encantamento e com outros olhos mesmo e como muitas vezes deixamos de lado o "eu" para dar lugar ao "nós" e até ao "eles"! Leio então na abertura do livro algo como: "eu admiro a coragem da semente que apodrece para dar lugar ao fruto." Acho que é bem isso! Sinto-me, como mãe, plena e corajosa inúmeras vezes por apodrecer em certos aspectos e perceber que sou capaz de florescer em tantos outros. O dia aqui com a meninada terminou com a leitura do livro que Luiza trouxe da escola: Onde está a mamãe? , de Terezinha Casassanta, ilustrado por Gaiola, da Editora do Brasil. Seis ovos de pata chocados por uma galinha, afugentada por um gavião no dia em que os patinhos racham as cascas e  que passam a ser cuidados por um garoto. Assim começa a confusão. O garoto alimenta os bichinhos, que pensam ser ele, o menino,  a mãe deles. Onde o Paulinho vai, a "pataiada" vai atrás e com a repetição de situações do menino seguido pela fila de patos, o livro permitiu gargalhadas infindáveis e não só da Luiza. Fechamos o fim de semana em altíssimo astral e o livro, que não tem alegorias gráficas ou estéticas foi o responsável pelos momentos divertidos que antecederam a hora do sonho!
Hoje a semente da alegria brotou!

quinta-feira, 22 de julho de 2010

De fralda e livro na mão! Desta vez, leitura devidamente documentada!

Muito se fala hoje em dia na importância de incentivar o amor pelos livros desde os primeiros dias de vida. Nunca duvidei dos benefícios que as leituras em voz alta para bebês podem trazer em favor de futuros leitores. Tenho três filhos e com os três experimentei momentos muito intensos junto aos livros e mesmo antes do berço: quando ainda estavam mergulhados no aconchego do universo amniótico. Os dois mais velhos se tornaram parceiros na literatura e Luiza, a caçula, por enquanto tem sido inspiração - o livro-cd História pra boi casar, com uma narrativa poética em forma de cantiga foi feito pra ela, numa noite em que se recusava a se entregar ao sono, já numa quase madrugada. Juntando memórias, retalhos de cantigas e histórias que embalaram minha própria infância fiz a música, que depois cresceu pra virar história e foi buscar na oralidade e na Cultura Popular outras lembranças e muitas referências. E assim como na barriga, os pequenos ficam aconchegados, é fundamental criar, na hora da leitura um ambiente aconchegante em que o afeto fale mais alto. Minhas leituras em voz alta para a Luiza começaram assim que eu soube que estava grávida. Li de tudo para ela, mesmo os livros que eu estava lendo durante os nove meses de co-habitação, de Guimarães Rosa a Bartolomeu Campos de Queirós, passando por Ítalo Calvino, Muriel Barbery, Clarice Lispector e claro La Fontaine, Lobato, Cecília Meireles e tantos outros. Muita gente se assusta quando conto que fazia em voz alta as minhas leituras - não apenas os livros de Literatura Infantil - para a "barriga" e, tenho certeza hoje, que esses nossos momentos plantaram em Luiza a semente da paixão pelos livros. Os irmãos mais velhos disputavam diariamente ,durante toda a minha gravidez, qual dos dois contaria a história para o bebê, era um ritual repleto de carinho! Luiza nasceu em meio às histórias, frequentando feiras literárias e brincando de ler. Em casa, livros por toda a parte, brinquedos também, mas o curioso é que mesmo com pouco mais de um ano de idade, Luiza pede para lermos para ela, escolhe os livros e muitas vezes coloca a família toda sentada para "ler" para nós. Não me lembro de atitude semelhante com os brinquedos. Semana passada, contei aqui o episódio da primeira mediação de leitura que ela fez para os brinquedos no berço e lamentei não ter registrado o momento, mas não precisei esperar muito. Ela tem verdadeira paixão por um livro de pop-up da Claudia Bielinsky, publicado pela Companhia das letrinhas: Peixinhos, Peixinhos. Um livro bem divertido, repleto de cores e que apresenta peixes de tudo que é jeito. Na capa, peixinhos que nadam com o toque dos dedos, uma diversão! Já havia notado que o lugar preferido de Luiza para ler este livro é a cozinha da casa, tanto que acabei deixando o livro na estante de lá - sim! Até na cozinha temos livros, e agora não só os de receitas! . Hoje pela manhã percebi o motivo: Luiza sempre faz a sua leitura para o peixinho do Felipe, que mora num aquário na cozinha!
Dá boas risadas descobrindo  os tantos peixes que moram no livro e...

Mostra as ilustrações para o felizardo da hora: Rafa, o peixe do Lipe. Assim mesmo, sentadinha no chão, só de fralda, Luiza faz uma de suas mediações preferidas. Preciso dizer mais alguma coisa?