segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Por mais livro e leitura na Tv

O que falta para que o Brasil seja realmente um país de leitores?


Falta muito. Falta garantir a todos os brasileiros o acesso ao livro e às bibliotecas. Falta desvincular a leitura do rol de obrigações escolares, falta acreditar no poder do imaginário e da fantasia para transformar realidades. Falta o incentivo para que ler seja, acima de tudo, o que realmente é: um grande prazer! Falta, principalmente, fazer com o que a leitura esteja em toda a parte e que seja incluída no repertório de atividades das quais as pessoas não queiram abrir mão ou deixar em segundo plano. Na luta para que o Brasil se torne um país literário, estão unidos escritores, ilustradores, editores, livreiros, entidades das mais diversas áreas de atuação, anônimos... Várias ações se desenham e ganham força, na tentativa de ver a vontade de tantos se concretizar em ações. A semente plantada pelo Manifesto por um Brasil Literário, escrito e tornado público pelo escritor Bartolomeu Campos de Queirós começa a dar frutos. Uma grande campanha está sendo articulada com apoio e recursos institucionais e não são poucas as pessoas dispostas a dar vez e voz aos anseios de tornar o Brasil um país no qual se valorize com todas as letras a leitura literária, aquela que segundo Bartolomeu, "promove em nós um desejo delicado de ver democratizada a razão. Passamos a escutar e compreender que o singular de cada um - homens e mulheres - é que determina sua forma de relação. Todo sujeito guarda ,bem dentro de si, um outro mundo possível. Pela leitura literária esse anseio ganha corpo... E tudo, a literatura realiza, de maneira instransferível, e segundo a experiência pessoal de cada leitor. Isto se faz claro quando diante de um texto nos confidenciamos: 'ele falou antes de mim' ou 'ele adivinhou o que eu queria dizer'."

Ainda temos um longo caminho a percorrer para que esse "tudo" que a literatura é capaz de realizar esteja ao alcance de todo cidadão brasileiro. E, com certeza, o caminho se tornaria bem mais curto com a ajuda do chamado quarto poder! Os meios de comunicação de massa são armas poderosas e especialmente a TV com sua enorme audiência poderia fazer muito pela literatura. Incluir o livro e a leitura em sua programação seja ela ficcional ou real, já seria um grande começo. Por enquanto são raríssimas, quando não ausentes, as cenas nos programas e nas novelas em que o livro aparece! Na ficção, sobram tentativas de imitar a realidade: personagens vivem dramas e cotidianos bem parecidos com o de muitos na vida real. E nunca ( ou quase nunca) lêem, frequentam bibliotecas, clubes de leitura, falam de livros, têm o rumo de suas vidas mudadas a partir do encontro com a literatura. Nunca presenteiam outras pessoas com livros. Na ficção das novelas e mesmo nos programas da Tv aberta, a literatura é praticamente ignorada. Crianças, jovens e adultos aparecem diante das câmeras nas mais diversas situações, influenciam comportamentos e hábitos ( não é à toa que o merchandising de produtos é cada vez mais presente na telinha) e infelizmente não incluem o mundo do livro e da literatura. Isso precisa mudar! É um pequeno passo que pode encurtar distâncias e fazer toda a diferença!
Alessandra Roscoe

4 comentários:

Bartolomeu Campos de Queirós disse...

Alessandra, muito obrigado pelo apoio constante que você tem dado ao Movimento. As ações, como a sua, são definitivas e importantes. Vamos mais... Feliz Natal,
Bartolomeu

1001 Contos disse...

Parabéns Alessandra pelo empenho em prol de mais livros para os brasileiros. Como posso ajudar? Feliz Natal a todos!

Patrícia Andrade disse...

É, Alê, o envolvimento da TV aberta é fundamental nessa caminhada. Eu sugeriria que vocês provocassem, por exemplo, o Manoel Carlos, que gosta de incluir temas sociais nas novelas dele. Inclusive, por ele adorar o Leblon, não seria nada difícil colocar cenas dos personagens lendo na livraria Argumento ou na Letras e Expressões, ambas ali no bairro. Parabéns pela campanha. beijos, Pati

Anônimo disse...

Oi, Alê!
Há muito devo algumas linhas sobre a campanha. Não porque somos amigos de longa data, nem porque a vida nos fez companheiros de tantas coberturas jornalísticas. Tampouco porque desfrutamos da mesma paixão pelos livros. A dívida não é com a jornalista ou com a escritora. Sinto-me devedor da cidadã Alessandra Roscoe, que nos convida a refletir. Que nos pede um pouco mais de esforço na tarefa de trazer a literatura para
a rotina do país. Que cobra de nós um compromisso de gratidão.
Se tiramos tanto dos livros, temos o dever de retribuir, de mostrar o quanto eles podem ser fonte de prazer, de conhecimento, de realização.
Que a campanha mobilize todo o País!
Parabéns!

Júlio Mosquéra