terça-feira, 25 de agosto de 2009

"Aletramento" Fraterno

A palavra para mim é alimento. Escrever, mais que um ofício, é uma necessidade e não daquelas que chegam como obrigação. Ao contrário, vem com um prazer que não sei se conseguiria traduzir assim só por dizer. A palavra escrita sempre foi o meu refúgio, o meu porto seguro e, de certa forma, o meu ar! Tá bom, sei que sou também faladeira, "inventadeira" de histórias como bem me definiu a Bia! Adoro ouvir histórias, adoro contar e cantar histórias, adoro sentir histórias - agora estou aprendendo até a adormecer histórias. Algumas chegam sem cerimônia no meio da madrugada, querendo ganhar forma, vida e, talvez porque eu precise dormir mais que qualquer outra coisa, arrisco adormecer histórias. Faço com que adormeçam ( as histórias, eu até consigo, já a Luiza... Ela ainda mama e mama muito de madrugada!) para que despertem em outro momento. E foi numa das madrugadas insones, ao perceber Luiza desmaiada, plena e muito bem alimentada depois de amamentá-la que o termo: "aletramento materno" fez mais sentido para mim! Tão necessário em nossas vidas quanto o ar e o alimento, é o aconchego da palavra, seja dita, calada, cantada, escrita, desenhada, versada. Percebi ali, na penumbra do quarto, que ler histórias não deixa de ser uma outra forma de abraçar, de acarinhar, de acalantar. Luiza, bem antes de se saber Luiza, de sabermos que era Luiza já ouvia histórias. Histórias que eu e os irmãos líamos para a barriga. Hoje temos certeza que ela percebeu cada uma delas. O encantamento com que ela se entrega aos livros é surpreendente!

Nos primeiros dias em casa, Felipe fez questão de fazer a "mediação", cantava, fazia graça, mas sempre acalmava a caçulinha com um bom e colorido livro.
Ela tomou gosto, claro! Como é que não tomaria!

Faz suas próprias "leituras" e até reclama quando a história acaba.


Tudo bem, há um mundo e uma vida inteira para ler.Sim! A vida e o mundo são um grande livro! A gente tem que saber ler todas as coisas: a natureza, os sentimentos, o céu e os jardins, as vozes e os silêncios! O tempo passa e em nossa caixinha de deslumbramentos vamos juntando história. Os bebês e as crianças têm poesia nos olhos, enxergam tudo com a métrica e a rima que a vida deveria ter sempre. Crescem e muitas vezes perdem a ótica da maravilha, da fantasia. Mas alguns, na literatura aprendem a ressignificar tudo, a encontrar as lentes que devolvem a visão encantada de antes.
Sempre me perguntam sobre a importância da leitura, sobre formas de incentivo ao letramento e sobre a formação de leitores. Agora sei bem o que dizer: um bebê diante do seio, mesmo ainda ligado à mãe pelo cordão umbelical, abre a boquinha e sabe o que fazer, consegue nos primeiros segundos de vida sugar e se alimentar. Quando se entende a literatura como prazer também é assim e a grande vantagem do "aletramento" é que ele não precisa ser só materno!

7 comentários:

Adriana Dornellas disse...

Aletramento materno, aleitamento moderno , mediar a ação das letras nos passos da infância...
O circo do ALETRAMENTO MATERNO já chegou !
Amei o trocadilho!
:)

Maíra Bezzi disse...

Visito seu blog há algum tempo e sempre me encanto com o que encontro aqui. E especialmente hoje, nesta noite estranhamente chuvosa de Brasília...
Sim, além de incentivar as mamães brasileira s amamentar seus filhotes cada vez mais, o governo bem podia entrar nessa onda e incentivar o seu, o nosso, "aletramento materno"... É claro que é brincadeira, pois quem amamenta e "aletra" somos nós mesmas, afinal de contas...
Mas adorei! Meus filhos também são roedores de livros e meu neném (que também mama - e muito - de madrugada) adora ouvir as histórias que saem deles.
Bom, muito prazer! Maíra.

Alessandra Roscoe disse...

Adriana,
Já adotei o termo e estou em campanha! Pode aderir!

Alessandra Roscoe disse...

Maíra,
SEja sempre benvinda! Que bom que você também curte este cantinho e os livros, as crianças. A vida ganha mais cor, não é mesmo?
Volte sempre!
beijos.

Nathy disse...

AlÊ!
Muito bom te encontrar na festa da Bubu e também de conhecer a sua pequena. Sempre entro no seu blog e sempre fico encantada com as coisas que leio ;)
Um beijo
Nathália Rocha

Alessandra Roscoe disse...

Ei, Nathália!
Também adorei ver todo mundo e fico sempre muito feliz com sua visita aqui, volte muitas vezes!
beijocas...

Marilza Conceição disse...

Querida Luiza. Como você está bonita! E eu que sabia que você estava lá, dentro da barriga da Alessandra, na Bienal de São Paulo. Você já ouvia e participava ativamente das histórias que a mamãe contava. Olha como você faz bem para a ela, que também virou inventadeira de palavras novas, dando um novo sentido ao ato tão sublime que é amamentar. Filho é bem assim: aflora nossa sensibilidade, faz a gente criar felicidade de momentos insones e inventar o modo inusitado de dizer isso pro mundo. Filho dá títulos novos prá gente e vira até fantoche de histórias legais.
Adorei vocês todos! Beijo